Aécio defende 'investigação profunda' no Ministério dos Transportes

Senador tucano afirma que afastamento de dirigentes são insuficientes para explicar denúncias de corrupção na pasta; Dilma declarou apoio ao ministro

Eduardo Kattah e Marcelo Portela, da Agência Estado

04 de julho de 2011 | 14h32

BELO HORIZONTE - O senador Aécio Neves (PSDB-MG) defendeu nesta segunda-feira, 4, uma "investigação profunda" sobre as denúncias de corrupção no Ministério dos Transportes, que levaram ao afastamento de quatro dirigentes da pasta. "São muito graves as denúncias para ficar apenas no afastamento de algumas pessoas", afirmou o tucano durante o velório do ex-presidente Itamar Franco no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte. "Não basta afastar as pessoas. É preciso uma investigação profunda e há instrumentos para isso", completou, citando a Procuradoria da República.

Reportagem publicada pela revista ‘Veja’ neste sábado, 2, revelou o funcionamento de um esquema montado nos Transportes baseado na cobrança de propinas de 4% das empreiteiras e de 5% das empresas de consultoria que elaboram os projetos de obras em rodovias e ferrovias.

Foram afastados pelo governo o diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antônio Pagot, o presidente da Valec Engenharia, José Francisco das Neves, o chefe de gabinete do ministério, Mauro Barbosa Silva, e o assessor Luís Tito Bonvini.

O senador e presidente da Confederação Nacional dos Transportes, Clésio Andrade (PR-MG), classifica o caso, por enquanto, como uma "versão". Do mesmo partido do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, Clésio disse que Nascimento tem a confiança do partido "até que se prove o contrário". "Com relação ao ministro Alfredo Nascimento, eu não acredito (nas denúncias). Acho que abaixo dele, se tiver culpados, têm que ser punidos", declarou.

O senador afirmou ainda que é direito da oposição defender a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o caso, mas ressaltou que há outras formas "legítimas" de investigação. "A CGU tem todas as condições para isso, o Tribunal de Contas (também) tem", disse.

Na manhã desta segunda, a presidente Dilma Rousseff manifestou confiança no ministro dos Transportes e lembrou que ele deu início às apurações sobre as denúncias.

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