Aécio defende fortalecimento dos Estados e municípios

O governador reeleito de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), cobrou nesta terça-feira dos governadores aliados ao presidente Luiz Inácio da Silva que também defendam o fortalecimento de Estados e municípios. Segundo Aécio, esta não deve ser uma agenda exclusiva dos governadores de oposição. "Tenho absoluta certeza que haverão de liderar este movimento, principalmente, os governadores mais próximos do governo federal", disse o tucano, que participou da inauguração do Complexo Energético de Capim Branco, no Triângulo Mineiro. Aécio, que procura liderar entre os colegas uma "agenda consensual" dos Estados na discussão das reformas estruturais no Congresso, disse que não tem nenhum encontro marcado com Lula. Recentemente, o presidente manifestou publicamente o desejo de se reunir com o mineiro e o governador eleito de São Paulo, José Serra (PSDB). O governador de Minas não coloca obstáculos ao encontro, mas já declarou que considera inoportuna uma reunião de todos os governadores com Lula antes da apresentação das propostas de consenso no Congresso - entre elas o estabelecimento de novos valores para o ressarcimento aos Estados e municípios exportadores pelas perdas com a Lei Kandir; a transferência de recursos da Cide e do Pasep, a conclusão da reforma tributária, entre outras. "Não tem nada marcado. O que disse em relação ao encontro com o presidente da República é que, obviamente, sobre questões que interessam ao País, em torno das reformas que nós sempre apoiamos, nós estaremos sempre à disposição para conversas", disse Aécio. Aécio salientou que está aberto também para discutir com líderes e governadores aliados ao Planalto. "Quando eu falo da agenda da federação, do fortalecimento de Estados e municípios, não é uma agenda exclusiva de governadores de oposição", afirmou. "Ou nós vibramos a federação, ou nós discutimos efetivamente uma nova distribuição não apenas de recursos, mas de responsabilidades também com Estados e municípios, ou nós vamos continuar vivendo nesta absurda e inexplicável concentração de receitas nas mãos da União e a sua conseqüente ineficiência e prejuízo para toda a população", insistiu o governador. "Infelizmente, no Brasil, a curva de crescimento da concentração de receitas na União é a maior no mundo e ela precisa ser interrompida". Gargalo Durante o evento no Triângulo Mineiro, Aécio não deixou de criticar o governo Lula, afirmando que falta agilidade no setor de energia. "Não existe um gargalo maior, não existe desafio maior para o crescimento, não apenas de Minas, mas do Brasil, do que a questão de energia", disse, lembrando que os investimentos em geração têm uma carência de no mínimo oito anos. "Infelizmente, nós não estamos vendo esta mesma agilidade, esta mesma ação empreendedora em setores do governo federal. É preciso que nós estejamos hoje, os administradores públicos, planejando o futuro, planejando daqui a oito ou dez anos", observou. "E é isso que me angustia, em ver que o Brasil não vem trazendo investimentos importantes no setor de energia". O complexo Energético Capim Branco é formado por duas usinas, com capacidade instalada de 450 megawatts (MW). O empreendimento tem a participação da Companhia Vale do Rio Doce (48,4%), Companhia Energética de Minas Gerais (21%), Suzano Papel e Celulose (17,9%) e Grupo Votorantim (12,6%).

Agencia Estado,

05 Dezembro 2006 | 19h35

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