Aécio critica 'pirotecnia' e 'partidarização' nas ações da PF

Sobre a Castelo de Areia, o governador de Minas diz que não é adequado divulgar dados só de alguns partidos

Eduardo Kattah, de O Estado de S. Paulo,

01 de abril de 2009 | 16h02

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), cobrou nesta quarta-feira, 1º, menos "pirotecnia" nas operações da Polícia Federal (PF) e que não haja "partidarização" na divulgação de informações referentes às investigações. Ao ser questionado sobre a nova polêmica envolvendo eventuais abusos cometidos pela PF na Operação Castelo de Areia, o governador mineiro disse que defende que todas as investigações sejam feitas com profundidade, mas destacou que a divulgação deve ser "completa" para que não haja "dúvida quanto à lisura da ação".

 

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"O reparo que eu faço é que divulgar parcelas de informações em que se aponta um partido em detrimento de outro que também ali está inserido não me parece a forma republicana e adequada de ação da Polícia Federal", destacou, se referindo às suspeitas de crime eleitoral contra partidos e políticos de oposição. "É preciso que, se ilícitos ocorreram, eles sejam colocados para a opinião pública e as punições ocorram. Agora, é preciso que não haja uma partidarização da divulgação dessas informações".

 

A oposição no Congresso Nacional critica a exclusão de PT, PTB e PV no relatório final da PF sobre a Castelo de Areia e aponta direcionamento político na operação. Como retaliação, DEM e PSDB já falam em criar uma CPI para apurar supostos indícios de superfaturamento na obra da refinaria Abreu Lima, que está sendo construída em Pernambuco pela Petrobras e a estatal venezuelana PDVSA. "Esse é um processo que o Congresso Nacional deve conduzir. Não cabe a mim opinar sobre isso", esquivou-se Aécio.

 

Sobre a discussão em torno do controle externo das atividades da PF, o governador também evitou dar opinião, observando que não é especialista no assunto. "A única questão que eu digo é o seguinte: é preciso que haja um pouco menos de pirotecnia e isso me parece que vem avançando. Eu acho que alguns reparos tem havido em relação ao que nós víamos no passado", avaliou.

 

Segurança

 

Ao participar da inauguração da nova sede do 41º Batalhão da Polícia Militar, na região do Barreiro, em Belo Horizonte, Aécio voltou a criticar o governo federal, afirmando que nos seus quase sete anos de governo, 99,1% dos investimentos em segurança pública em Minas foram bancados exclusivamente pelo Tesouro Estadual. "Apenas 0,8% foram patrocinados pelo governo federal, uma presença absolutamente irrisória, injustificável".

 

O governador também disse que espera que possa haver alguma recuperação no corte de 43,3% (R$ 1,24 bilhão) no orçamento do Ministério da Justiça para 2009, conforme decreto presidencial publicado na segunda-feira. "Mais do que isso, que possa haver uma participação mais solidária do governo federal com as ações de segurança pública de Minas Gerais que até agora não houve", ressaltou.

 

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