Aécio critica Lula sobre 'critério' para escolhas de ministros do STF

Em evento em SP, senador disse desconhecer mensalão mineiro e definiu como 'mau sinal' declaração de ex-presidente de que, hoje, 'teria mais critério' na indicação de membros da Corte

José Roberto Castro e Gustavo Porto - Agência Estado

30 de setembro de 2013 | 12h52

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), provável candidato à sucessão presidencial em 2014, criticou na manhã desta segunda-feira, 30, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a respeito das indicações do petista durante o tempo em que ocupou o Palácio do Planalto. Segundo o senador, o fato de o ex-presidente ter declarado, em recente entrevista ao Correio Braziliense, que hoje teria mais critério na escolha de alguns ministros do Supremo Tribunal Federal, é um mau sinal.

"Se em uma indicação de um ministro do STF o presidente confessa que não foi criterioso, imagine em seus demais assessores outras áreas do governo", disse Aécio. Apesar da declaração, Lula disse na mesma entrevista que não se arrepende de nada e que se tivesse que indicar atualmente, com as informações que tinha na época, indicaria novamente.

Ao falar sobre os ministros do Supremo Tribunal Federal, Aécio falou que julgamento do mensalão deixou uma sensação de impunidade pairando sobre o País. "Quando eu comentei a decisão do Supremo em relação aos embargos infringentes, eu apenas disse que o Supremo está na obrigação de rapidamente colocar fim ao processo", afirmou, dizendo que esta é a mais perversa herança que o PT deixou.

Questionado se o caso do chamado mensalão mineiro, que envolve correligionários de seu partido, agravava a sensação de impunidade, Aécio preferiu não comentar o caso e disse que não conhece a fundo os detalhes do processo, que investiga desvio de recursos públicos para a campanha à reeleição do ex-governador de Minas Gerais e atual deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB), em 1998. "(O mensalão mineiro) deve ser julgado e, se tiver culpados, devem ser punidos. Mas é um caso que eu conheço muito pouco', afirmou na chegada ao evento.

O caso está parado na Corte desde dezembro de 2009, quando foi aceita a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR). Foram 11 anos entre o suposto esquema e o recebimento da denúncia no Supremo.

Cemitério de obras. Além das críticas ao ex-presidente, Aécio aproveitou a oportunidade para atacar a política econômica do governo federal. Segundo ele, o País seria um cemitério de obras inacabadas com sobrepreço 'inexplicável'. Aécio usou a transposição do rio São Francisco e a rodovia Transnordestina como exemplos da falta de eficiência do setor público brasileiro. Ele também criticou a burocracia e a falta de inovação.

"Nossa disposição é, em doze meses (de governo), apresentar medidas que simplifiquem o ambiente de negócios", disse quando questionado se em um possível governo do PSDB haveria uma reforma tributária logo nos primeiros meses.

Outro ponto criticado pelo presidente nacional do PSDB foi a interferência do governo no mercado, tratando, segundo ele, o setor privado como adversário e não como parceiro. Na opinião de Aécio, há um descompromisso entre o que o governo propõe e o que pratica, o que causa insegurança. "Se o governo parar de atrapalhar, vai ser uma mudança quase que estrutural", disse. / COLABOROU ISADORA PERON

Mais conteúdo sobre:
aécio neveslulafórum exame

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.