Aécio critica governo federal por falta de investimentos em MG

Governador afirma que Anel Viário de Belo Horizonte está sendo negligenciado e é responsabilidade de Brasília

Eduardo Kattah, de O Estado de S. Paulo,

17 de setembro de 2009 | 18h01

Depois de cobrar respostas da Casa Civil em relação ao metrô de Belo Horizonte, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), criticou nesta quinta-feira, 17, o governo federal pela falta de investimentos no Anel Rodoviário da capital. O prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, decretou estado de calamidade pública na via, em razão do grande número de acidentes. O decreto, publicado também nesta quinta no Diário Oficial do Município, prevê a realização de obras emergenciais e a instalação de radares e outros equipamentos de controle de tráfego sem licitação. O documento foi homologado por Aécio.

 

"Eu apoiei o prefeito Márcio Lacerda. É lamentável que nós não tenhamos tido os investimentos necessários no Anel. É uma área de responsabilidade do governo federal. Esses investimentos precisariam ser feitos", reclamou o governador, após autorizar o início das obras de reforma e ampliação do Estádio Henrique Nogueira, em Sete Lagoas (MG). "As cobranças têm sido permanentes e não havendo uma resposta do governo federal, o prefeito Márcio me procurou. Concordei com ele, inclusive homologuei o seu decreto de calamidade. O Estado o acompanha para que possamos planejar obras emergenciais".

 

No decreto, a situação da via - de 26,5 quilômetros de extensão, onde circulam diariamente cerca de 100 mil veículos entre carretas, caminhões, ônibus e automóveis - é descrita como uma "verdadeira catástrofe urbana". O documento informa que de setembro de 2006 a setembro de 2009 foram registrados 6.891 acidentes que resultaram em 91 mortos e 3.010 feridos. Na última sexta-feira, um caminhão desgovernado colidiu contra outros 11 veículos e causou a morte de cinco pessoas.

 

O trecho é de jurisdição da União e sua fiscalização foi delegada ao Estado. A prefeitura alega no decreto que sobre o município "recaem todos os impactos negativos e o ônus material e moral" dos acidentes.

 

"A nossa expectativa é que o governo federal possa se manifestar e possa fazer aquilo que não fez até agora em benefício da população da região metropolitana de Belo Horizonte", afirmou Aécio, pré-candidato do PSDB à Presidência em 2010.

 

Aécio terá que, antes de enfrentar o candidato do governo nas eleições do ano que vem, passar por um desafio talvez ainda maior: tornar-se o candidato do PSDB tendo como rival interno na sigla José Serra. O governador de São Paulo aparece em primeiro nas pesquisas de intenção de voto e tem o apoio da maioria dentro do partido. Aécio vem insistindo para que a decisão de quem será o candidato do PSDB à Presidência em 2010 seja escolhido por votações primárias da sigla, ao invés de uma escolha dos líderes.

 

Não é a primeira vez que Aécio critica o governo federal. Recentemente, o tucano disse que o Brasília "está devendo uma ação mais consistente" no Estado e acusou a Casa Civil de "descaso" em relação à proposta de uma Parceria Público-Privada (PPP) para a ampliação do metrô de Belo Horizonte.

 

Licitação 

 

A Superintendência do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) informou que foi iniciado na quarta-feira, 16, um processo para a abertura de licitação para a execução de obras na rodovia. Não há data para o fim do processo de concorrência. O conjunto de 17 intervenções está orçado em R$ 780 milhões, mas até o momento o Dnit tem à disposição apenas R$ 15 milhões. Conforme o Dnit, a intenção da Casa Civil é que as obras sejam executadas com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Sobre o decreto, o órgão federal observou que ele precisa ser ratificado pela Secretaria Nacional de Defesa Civil.

 

Prévias

 

Ao participar da inauguração da nova unidade de caminhões pesados da montadora Iveco, Aécio demonstrou irritação ao ser questionado se não estaria adotando um discurso "dúbio" em relação à possível realização de prévias no PSDB. "Não há dubiedade alguma", afirmou, atribuindo notícias desencontradas à incompreensão de alguns jornalistas. O governador mineiro voltou a sustentar que a consulta interna é ainda melhor "instrumento" que o partido tem para definir seu candidato e mobilizar seus filiados, sem descartar a possibilidade de "entendimento". Mais uma vez, Aécio assegurou que ele e o governador de São Paulo, José Serra, estarão juntos na eleição do próximo ano.

 

Ele chegou à solenidade de inauguração dirigindo um caminhão e tendo ao lado o piloto de Ferrari, Felipe Massa. "Você vê que privilégio. Ele me deu algumas dicas ali, obviamente aprovou o meu desempenho. E disse que estou às ordens. Se eles não encontrarem, até o final do ano, alguém para substituí-lo, podem me convocar", brincou o governador mineiro.

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