Aécio corteja DEM e é ''lançado'' por Simon

Em visita ao Congresso, governador mineiro ouviu do senador gaúcho que, se estivesse no PMDB, Lula o apoiaria na eleição presidencial

Christiane Samarco, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

22 de maio de 2009 | 00h00

Ao mesmo tempo em que o PMDB articula uma saída legal para permitir trocas de partido a seis meses da eleição, o governador tucano de Minas Gerais, Aécio Neves, corteja o DEM e peemedebistas históricos, como o senador Pedro Simon (RS). Seguido por um pequeno cortejo de parlamentares tucanos, Aécio vestiu o figurino de presidenciável na Câmara dos Deputados, ontem. Distribuiu sorrisos e cumprimentos, saudou antigos colegas e parou para tirar fotografias com assessores técnicos e funcionárias terceirizadas que servem cafezinho.Na liderança do DEM na Câmara, o governador lembrou a Aliança Democrática, entre PMDB e o embrião do PFL, que deu a vitória a seu avô, Tancredo Neves, no Colégio Eleitoral, em 1985, e propôs um ato para comemorar os 25 anos dessa parceria histórica que ele cultiva em Minas e quer manter na sucessão de 2010. O afago aos ex-pefelistas foi um contraponto à parceria do governador paulista José Serra - com quem disputa a indicação presidencial do PSDB - com o DEM do prefeito da capital, Gilberto Kassab, e do ex-senador Jorge Bornhausen (SC).Com Simon, que foi ministro da Agricultura de Tancredo, a recepção não poderia ter sido melhor. "Se eu fosse presidente do PMDB, Aécio estaria no PMDB, seria nosso candidato e o Lula apoiaria", afirmou o senador. Simon fez questão de contar à imprensa o que disse ter ouvido do próprio presidente tempos atrás. "O Lula falou para mim que Aécio seria um grande candidato a presidente se ele entrasse no PMDB e o PT o apoiasse, e eu achei uma grande saída."Em outra roda de jornalistas, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) contava que Aécio fez o seguinte comentário: "Estou de olho no seu projeto", numa referência à proposta que reduz em seis meses o prazo de filiação partidária para as eleições de 2010.No encontro com deputados do DEM, Aécio foi recepcionado pelo presidente nacional do partido, Rodrigo Maia (RJ), e pelo líder Ronaldo Caiado (GO). Abriu sua fala elogiando a "ousadia" dos antigos pefelistas, sem a qual a aliança que elegeu Tancredo não seria possível. "O gesto de ousadia de vocês foi o começo de tudo o que estamos vivendo. Minha carreira política começou ali e tenho no DEM meu mais importante aliado", disse o governador, que também fez questão de passar pelo gabinete da presidência da Câmara, para abraçar Michel Temer (PMDB-SP).COMPANHEIROProvocado pelos jornalistas sobre a proposta de Cunha, Aécio afirmou que, "do ponto de vista pessoal", não tem qualquer interesse no projeto. Acrescentou que está muito bem no PSDB e que sua pretensão é disputar as prévias partidárias com o governador paulista. "Serra é companheiro e vamos estar juntos para enfrentar nossos adversários, com quem temos diferenças de visão de mundo e de governo", afirmou.Aécio disse ainda que fará "tudo" para trazer o PMDB para o projeto tucano. Disse que o partido não só é fundamental à governabilidade, como pode ser decisivo para ganhar uma eleição. A aposta de Aécio é que várias legendas que estão hoje na base do governo não apoiarão a candidatura presidencial petista, por uma razão: "Lula é muito maior que o PT".

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