Aécio contesta críticas de Dilma ao TCU e responsabiliza governo por problemas

Senador mineiro e provável candidato à Presidência voltou a atacar gestão econômica de Dilma e reiterou a crença na ocorrência de 2º turno

ELDER OGLIARI, correspondente em Porto Alegre, Agência Estado

11 de novembro de 2013 | 21h28

Porto Alegre - Provável candidato do PSDB à Presidência, o senador Aécio Neves voltou a classificar nesta segunda-feira, 11, o governo Dilma Rousseff como um "cemitério de obras inacabadas". Ele criticou a declaração da presidente, que na semana passada considerou "um absurdo" a recomendação do Tribunal de Contas da União pela paralisação de sete obras federais com indícios de irregularidades graves."Ela deveria criticar aqueles que não fizeram o projeto adequado, não mantiveram o preço previamente estabelecido e não conduziram a obra com gestão adequada", afirmou Aécio, em Porto Alegre, durante visita na sede da Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul).

 

Para o tucano, "a responsabilidade é de um governo que não planeja, faz tudo de forma atabalhoada e infelizmente está colocando o Brasil no final da fila dos investimentos".  O senador falou para empresários e também concedeu uma coletiva de imprensa.

 

Aécio fez diversas comparações entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva (2003 a 2010), Dilma Rousseff (desde 2011) e o de Fernando Henrique Cardoso (1995 a 2002). Para Aécio, os programas adotados pelos sucessores do tucano seriam um "sotware pirata".

 

"Na nossa avaliação esse longo período de governo do PT coloca em risco algumas das principais conquistas que nos trouxeram até aqui", insistiu, citando o tripé macroeconômico metas de inflação, câmbio flutuante e superávit primário; a Lei de Responsabilidade Fiscal; a estabilidade da moeda e a credibilidade para atrair investimentos - que, segundo ele, estaria "abalada em razão de um excesso de intervencionismo do governo em setores essenciais da economia".

 

Para o tucano, a "falta de planejamento, descontrole das contas públicas, inflação alta, crescimento pífio e maquiagem fiscal" levaram o Brasil a virar um "cemitério de obras inacabadas" e ao "final da fila" da preferência dos investidores, que "estão buscando terrenos mais estáveis" para aplicar seus recursos. "Temos de substituir o software pirata pelo original", afirmou.

 

2º turno. Ele também aproveitou para alfinetar Dilma e disse que as pesquisas eleitorais indicam que a reeleição da presidente vai ser difícil. "Para ter uma posição confortável ela precisaria estar com indicadores muito maiores do que os que aí estão", afirmou.

 

A pesquisa mais recente, feita pelo instituto MDA para a Confederação Nacional dos Transportes (CNT) e divulgada na quinta-feira, 7, mostrou Dilma com 43,5% das intenções de voto em cenário no qual Aécio teria 19,3% e Eduardo Campos (PSB) 9,5%. Em outro cenário, com Marina Silva como candidata, Dilma tem 40,6%, a ex-ministra do Meio Ambiente 22,6% e Aécio 16,5%. Nos cenários, a petista venceria no 1º turno.

Para o senador, os números mostram que "60% da população não quer dar um segundo mandato à atual presidente". Aécio ainda acredita que Dilma perderia uma eventual disputa no 2º turno com independente de quem seja o candidato opositor. "Se alguém tem que estar preocupado com pesquisas tenho convicção que é a presidente da República e seus aliados."

Campos.Na mesma entrevista, Aécio foi questionado sobre manifestação recente do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que disse que "não seria nenhuma tragédia" se o candidato tucano fosse ultrapassado pelo socialista Eduardo Campos em 2014. "O que diz o presidente Fernando Henrique Cardoso é que acha muito bom que cresça a candidatura do Eduardo, nós também esperamos isso", ressaltou, dando a entender que o discurso refere-se ao crescimento da oposição para levar a disputa ao segundo turno.

 

Ao mesmo tempo, Aécio mostrou-se convicto de que o partido que vai enfrentar Dilma na rodada decisiva será o PSDB. "Pela clareza do discurso, pela história do partido, pela estrutura que temos no Brasil inteiro, o PSDB tem todas as condições de ser a principal das alternativas a esse modelo de gestão que aí está", sustentou, para, em seguida, jogar confetes em possíveis futuros aliados. "Eu devo saudar, como presidente do maior partido de oposição, a chegada ao nosso campo de importantes figuras que há pouco tempo militavam no campo governista", em provável alusão ao próprio Campos e à ex-ministra Marina Silva. "Isso tem que ser visto por nós como mais uma constatação de que o Brasil precisa iniciar um novo ciclo e esse ciclo do governo do PT caminha para o seu final".

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