Aécio consegue apoio de deputados do PFL

O líder do PSDB e candidato à presidência da Câmara, deputado Aécio Neves (MG), dedicou o último dia de sua campanha à conquista de votos a favor de sua candidatura junto a deputados do PFL. E a empreitada do tucano foi, aparentemente, bem-sucedida. Obteve a promessa de apoio de pefelistas em, pelo menos, dois Estados: Roraima e Tocantins. O tucano também está contabilizando os votos de quatro dos oito pefelistas de Minas Gerais. É o caso, por exemplo, do deputado Jaime Martins (PFL-MG), que vai votar em Aécio Neves apesar de seu partido ter como candidato o líder do PFL, deputado Inocêncio Oliveira (PE). Em Roraima, os deputados e pefelistas Francisco Rodrigues e Luis Barbosa comprometeram-se junto ao governador do Estado, Neudo Campos (PPB), a votar em Aécio Neves. Segundo Campos, o único deputado do PFL em seu Estado que não votará no tucano é Luciano Castro, que nesta terça-feira à noite foi anfitrião de uma festa para Inocêncio. "Dos oito votos da bancada de Roraima, sete vão para o Aécio Neves", garantiu nesta terça-feira o governador, que passou o dia em Brasília. "Sem dúvida, Roraima merece um volume maior de investimentos e o Aécio disse que, ocupando a presidência da Câmara, vai trabalhar pelo desenvolvimento econômico do Estado?, argumentou o governador. Além da promessa de mais recursos para Roraima, Aécio Neves também teria se comprometido a pôr em votação um projeto de lei que regulamenta a demarcação de terra indígenas e, na prática, reduzirá a quantidade de território demarcado no Estado. "Hoje 60% do território de Roraima é de terra indígenas", afirmou o deputado Francisco Rodrigues, um dos dissidentes do PFL. A expectativa nesta terça-feira no comando da campanha de Aécio era de que os deputados João Ribeiro e Kátia Abreu, ambos do PFL de Tocantins, também votassem em Aécio Neves. "Mas o voto dos pefelistas de Tocantins não está tão garantido como os de Roraima", observou um tucano. Em seu último dia de campanha, Aécio Neves visitou gabinetes de deputados pedindo votos. Sua peregrinação incluiu gabinetes de parlamentares do PT, que pretendem votar no candidato do partido, o deputado Aloizio Mercadante (SP). Aécio também encontrou-se com o candidato e líder do PMDB no Senado, Jader Barbalho (PA). "Foi um encontro muito rápido e só demos um abraço", disse o tucano. Ele também reuniu-se, no início da noite, com a bancada do PDT, que apóia o candidato petista, no gabinete do líder do partido, deputado Miro Teixeira (RJ). "O Aécio falou contra a privatização de Furnas e prometeu que vai pôr em votação, em março, a emenda constitucional que limita o uso de medidas provisórias pelo presidente", contou Teixeira. Na busca aos votos dos deputados, o tucano também fez questão de comparecer à festa de aniversário, no Espaço Cultural da Câmara, do deputado Paulo Octávio (PFL-DF). E não perdeu a chance de pedir voto. "Recomenda bem o voto dele, tá", cochichou Aécio, ao ouvido da esposa do pefelista, Anna Christina. Com o crescimento das adesões, o comando da campanha do tucano estima sua vitória com votos de 270 a 280 deputados. Uma previsão mais otimista chega a contabilizar 326 votos a favor do tucano. Além do aumento das dissidências no PFL de deputados agora dispostos a votar no tucano, as chances de Aécio Neves vir a ser eleito também aumentaram depois que foi contornada temporariamente uma rebelião em uma parcela do PMDB, que resistia ao apoio do partido à candidatura do tucano. "A expectativa é que dos 100 deputados do PMDB, 85 vão votar no Aécio Neves", disse o vice-líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN).

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