Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Aécio condiciona diálogo a punições no caso Petrobrás

Senador tucano vincula aproximação com Planalto a propostas que enfrentem ‘desigualdades que ainda nos envergonham’

Isadora Peron, Nivaldo Souza e Ricardo Brito , O Estado de S. Paulo

05 de novembro de 2014 | 17h09

Atualizado às 22h57

Brasília - Para se firmar como o principal nome da oposição ao governo Dilma Rousseff, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) fez nesta quarta-feira, 5, o seu primeiro discurso na tribuna do Senado com duras críticas à presidente.

Derrotado nas eleições de outubro, o tucano condicionou o estabelecimento de um diálogo com a petista à investigação das denúncias de corrupção que atingem a Petrobrás.

“Qualquer diálogo tem que estar condicionado ao aprofundamento das investigações e exemplares punições daqueles que protagonizaram o maior escândalo de corrupção do País conhecido como ‘petrolão’”, afirmou.

O escândalo de desvio de recursos na estatal investigado pela Polícia Federal teria envolvido, segundo relatos dos delatores do esquema, além do PT, partidos da base aliada do governo, como o PP e PMDB. Partidos que estão na oposição também foram citados, entre eles o próprio PSDB.

Em pronunciamento que durou cerca de meia hora, Aécio afirmou que os governos do PT foram “intolerantes” durante os últimos 12 anos e que cabe à presidente estabelecer canais de conversa com a oposição. “Os gestos hoje estão nas mãos da presidente Dilma, mas a prática deste governo até aqui nunca foi a mão estendida.”

O senador argumentou também que o diálogo terá de ser feito com base em propostas para “fazer o enfrentamento das desigualdades que ainda nos envergonham”. Entre as medidas, defendeu que o Bolsa Família seja transformado em política de Estado e não seja mais usado como uma bandeira do PT.

Ele defendeu também uma melhor relação do governo com os Estados e municípios na divisão de impostos e tributos recebidos pela União. “O Brasil exige, e nós cobraremos, respeito à lógica federativa”, disse.

Aécio afirmou ainda que o governo precisa expor qual é o seu projeto de reforma política para que o Congresso possa debater o assunto. Ao contrário da presidente que defende um plebiscito sobre a questão, Aécio apontou como caminho realizar um referendo. “É hora de conhecer as bases da reforma política que o governo defende, até agora omitida, porque deverá ser debatida e aprovada por este Congresso, legitimamente eleito, e depois sim, ser submetido através do referendo ao crivo da sociedade brasileira.”

Aparte. Coube ao líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), rebater as críticas do tucano. Ao pedir um aparte, afirmou em plenário que estava na hora “desmontar os palanques” e que o governo quer o “bom combate, o combate das ideias” e está aberto ao diálogo com a oposição. Ao Estado, Costa rebateu que o tucano parece estar com “dificuldade de aceitar a derrota”. O petista também argumentou que a condição imposta pelo tucano para que haja diálogo entre a oposição e o governo já está em andamento, uma vez que as denúncias de desvios na Petrobrás estão sendo investigadas.

Costa recordou que o PSDB também foi apontado como beneficiado do esquema de desvio de recursos da estatal, coordenado pelo doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa. Em depoimento à Polícia Federal, o ex-diretor afirmou ter pagado R$ 10 milhões ao ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra, morto no início deste ano. “É importante que se apurem todas a denúncias, inclusive as que envolvem a oposição”, disse.Costa ainda comparou a oposição manifesta nas redes sociais contra Dilma como a pressão sofrida pelos ex-presidentes Getúlio Vargas, que se suicidou para evitar um golpe militar, e João Goulart, deposto em 1964. 

 

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