Aécio cobra fim de briga, mas critica Clóvis Carvalho

Governador mineiro alinha-se a Alckmin e, sem citar nomes, ataca 'atores secundários' do PSDB

Eduardo Kattah, Belo Horizonte, O Estadao de S.Paulo

24 de setembro de 2008 | 00h00

O governador de Minas, Aécio Neves, cobrou ontem ação dos líderes tucanos paulistas para encerrar a briga interna por conta da sucessão à Prefeitura de São Paulo e evitar que ela comprometa o projeto do partido para a sucessão ao Palácio do Planalto em 2010. Ao mesmo tempo, porém, alinhou-se explicitamente ao candidato Geraldo Alckmin e, sem citar nomes, mirou no secretário municipal de Governo, Clóvis Carvalho, e nos tucanos que apóiam o projeto de reeleição do prefeito Gilberto Kassab (DEM). Carvalho é um dos principais aliados do governador José Serra - cotado ao lado de Aécio como presidenciável tucano em 2010."Vejo muitos atores, inclusive secundários da vida política do partido, que nem sequer detêm mandato, jamais disputaram eleição, entrando numa discussão que, repito, não atende ao interesse maior do partido", afirmou Aécio. Foi um claro recado a Carvalho, que é um dos principais aliados do governador José Serra e em entrevista chamou Alckmin de "oportunista" e disse que ele não tem "compostura" na campanha. Não foi a única estocada de Aécio em Carvalho - que não tem mandato e nunca disputou eleição. Mesmo sem ser provocado a comentar a entrevista do secretário de Kassab, o governador mineiro criticou o "excesso de declarações, até mesmo de políticos que têm pouca afinidade com o voto, num determinado momento dando entrevistas que em nada contribuem para a convergência".Aécio pediu "responsabilidade política e espírito público" dos tucanos. E defendeu o fim das hostilidades. "É preciso, sobretudo dos mais maduros, dos mais experientes líderes políticos de São Paulo, serenidade nessa hora. Essa briga interna, essa disputa de vaidades, ela não tem lugar, ela não pode ter lugar num partido que tem um projeto tão ousado que é o de governar o Brasil e fazer o Brasil crescer a indicadores muito mais vigorosos do que está crescendo hoje."BOMBEIROSO governador disse crer que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Serra, o deputado José Aníbal (SP) e o próprio Alckmin possam atuar como bombeiros da crise tucana, preservando a aliança PSDB-DEM num eventual segundo turno, "qualquer que seja o resultado". "O PSDB e o DEM têm de estar juntos por uma razão fundamental: é o Brasil que está em jogo, não a vaidade deste ou daquele ator político", afirmou. Para Aécio, se o PSDB "tiver juízo e sair unido" das eleições municipais, poderá aglutinar em 2010 um grupo de forças políticas, incluindo partidos que atualmente dão sustentação ao governo Lula. "Já devíamos saber que, se temos um projeto para o Brasil, ele passa pela aproximação do PSDB com o DEM e até com outras forças que hoje estão naquilo que eu chamo de guarda-chuva, na base de sustentação do Lula, que não necessariamente estarão na base de sustentação de uma candidatura do PT." FRASESAécio NevesGovernador de Minas"Vejo muitos atores, inclusive secundários da vida política do partido, que nem sequer detêm mandato, jamais disputaram eleição, entrando numa discussão que, repito, não atende ao interesse maior do partido""É preciso, sobretudo dos mais maduros, dos mais experientes líderes políticos de São Paulo, serenidade nessa hora"

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.