Aécio cobra empolgação do PSDB por Serra

O presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), avaliou nesta sexta-feira que o pré-candidato tucano a presidente e ministro da Saúde, José Serra (SP), precisa "motivar internamente o PSDB para engajar setores do partido em sua candidatura". Mas, ao mesmo tempo em que reconhece que falta empolgação no partido, Aécio diz não ter dúvidas de que Serra vencerá a eleição. "Em política, às vezes é mais importante escolher o adversário do que o candidato", diz Aécio, para concluir: "Vamos ganhar por que soubemos escolher o adversário certo, que é Luiz Inácio Lula da Silva, do PT".Ele está convencido de que a campanha vai polarizar no segundo turno e que o candidato ideal para o governo é mesmo o petista Lula. Setores do PSDB, no entanto, temem que a candidatura Lula acabe se fragilizando a ponto de abrir espaço para uma "mexida" no quadro, favorecendo outra opção no campo adversário. A preocupação objetiva neste caso é a de o eventual enfraquecimento do PT fazer com que o governador do Rio de Janeiro e pré-candidato do PSB, Anthony Garotinho, ou até mesmo Ciro Gomes, do PPS, acabem arrebanhando o apoio de segmentos do PMDB. "Nosso problema, hoje, é ajudar o Lula a não cair demais", resume um dirigente nacional do PSDB.Com ou sem a empolgação do tucanato, Serra será o primeiro presidenciável a montar um comitê de campanha em Brasília. A assessoria dele tem em vista três imóveis - um deles em um prédio amplo, no bairro da Asa Norte e até quarta-feira estará fechando o contrato de aluguel para os oito meses de campanha, até o segundo turno. O candidato deve dar a palavra final sobre o imóvel no início da semana que vem.A idéia é alugar logo um prédio grande, capaz de abrigar todos os setores da campanha até o final, a exemplo do que fez Fernando Henrique Cardoso em 1994. "Juntar tudo é mais econômico e eficiente", diz o assessor de imprensa da campanha tucana, jornalista Mílton Coelho da Graça. Uma vez definido o endereço da campanha do PSDB, as obras da montagem do comitê começarão imediatamente. A previsão da assessoria é a de que, em 15 dias, o comitê esteja pronto e equipado, para que Serra possa trabalhar. O ministro tem pressa porque deixará o governo na quinta-feira, para reassumir sua vaga no Senado e dedicar-se à campanha em tempo integral.Embora a pré-candidata do PFL à Presidência e governadora do Maranhão, Roseana Sarney, também esteja preparando a licença do governo para cuidar da eleição presidencial, setores do PSDB insistem em trabalhar pela manutenção da aliança com os pefelistas na corrida sucessória. "Eu continuo achando que é provável que estejamos todos juntos já no primeiro turno da eleição presidencial", disse Aécio Neves.Segundo o presidente da Câmara, a reedição da aliança é mais do que um desejo seu. "Começo a ver pessoas influentes e decisivas pregando isto não só dentro do PSDB como no PFL", afirma Aécio, convencido de que a articulação passa pelo fortalecimento do presidente Fernando Henrique Cardoso na opinião pública.Mesmo com Roseana bem à frente de Serra nas pesquisas eleitorais Aécio aposta na união de PFL, PMDB, PPB e até o PTB que fechou com Ciro Gomes, em torno do candidato do PSDB. Ele lembra que Fernando Henrique deixou clara sua preferência por um candidato tucano. "Não vamos cobrar que o presidente aja como cabo eleitoral, criando-lhe constrangimentos descabidos, mas se for necessário um gesto dele em favor de Serra, ele o fará", diz Aécio.

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