Aécio: clima do governo é de 'fim de festa'

Para senador tucano, se houvesse equivalente eleitoral ao Procon, Dilma teria que devolver o mandato conquistado no dia 26 de outubro

O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2014 | 02h03

Em entrevista concedida ontem à rádio Jovem Pan, em São Paulo, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) disse que o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, por quem foi derrotado na eleição presidencial, já começa com "sabor de final de festa" e que se existisse um equivalente eleitoral ao Procon, Dilma teria que devolver o mandato conquistado no dia 26 de outubro.

"Infelizmente este governo já começa com sabor de final de festa. No Congresso a percepção que se tem é que quem ganhou fomos nós", disse Aécio, ao ser indagado sobre o fato de Dilma ter tomado nas últimas semanas medidas que criticou durante a campanha eleitoral como aumento nos preços de combustíveis e taxa de juros. "Se tivesse um Procon eleitoral a presidente teria que devolver o mandato", ironizou.

O senador mineiro, que tenta se colocar como o principal adversário da administração petista, afirmou que ao contrário de governo anteriores, desta vez o PT terá que enfrentar uma oposição "qualificada e conectada com a sociedade".

LDO. Um exemplo desta oposição, segundo o tucano, poderá ser visto na votação da proposta do governo de flexibilizar a Lei de Diretrizes Orçamentárias em função do déficit fiscal previsto para esta ano. Segundo Aécio, o PSDB poderá recorrer a uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) junto a o Supremo Tribunal Federal (STF), caso a proposta seja aprovada pelo Congresso. "Existem sanções para os governantes que não cumprem a lei."

Minas Gerais. Além de criticar o governo, Aécio aproveitou a entrevista para avaliar o resultado das eleições. Indagado sobre sua derrota em Minas Gerais, onde foi governador por duas vezes, o tucano atribuiu o resultado ao grande número de beneficiários do Bolsa Família no Estado. Segundo ele, isso também explica as derrotas de José Serra (2002 e 2010) e Geraldo Alckmin (2006) no Estado, quando Aécio foi acusado de fazer corpo mole durante as respectivas campanhas tucanas.

O senador previu ainda "constrangimentos" ao governo conforme vierem à tona mais detalhes da Operação Lava Jato e evitou embarcar em uma provocação ao PT feita pelo apresentador do programa Pingos nos is, que o questionou se o PT ainda é capaz de sentir "um pouquinho" vergonha. "Acho que não em público mas aí pelos cantinhos do Congresso, sim", disse Aécio.

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