Aécio chama de 'terrorismo' mapa do governo sobre CPMF

Na linha de Serra, governador de Minas acha 'inaceitável' eventual corte de repasses com o fim do tributo

EDUARDO KATTAH, Agencia Estado

09 de novembro de 2007 | 11h58

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), classificou hoje como "terrorismo" o mapeamento divulgado pelo Ministério da Fazenda sobre os montantes que os Estados deixariam de receber caso a CPMF seja extinta. Segundo o estudo, Minas deixaria de receber cerca de R$ 1,6 bilhão ao ano com o fim do imposto do cheque. Aécio disse que concorda plenamente com o governador paulista, José Serra (PSDB), que considerou "inaceitável" o eventual corte de repasses.      Veja também:   Entenda como é a cobrança da CPMF  Estudo: governo quer mostrar importância da CPMF para Estados Serra acha 'inaceitável' Estados ficarem sem CPMF em 2008"Na verdade é um certo terrorismo, que nós temos que considerar natural em negociações tensas como essas", disse o tucano mineiro, em entrevista à rádio CBN. Aécio voltou a cobrar uma proposta que leve à desoneração da carga tributária. "Eu diria que hoje depende exclusivamente do governo demonstrar se quer realmente botar a mão no bolso e distribuir com a sociedade parte do aumento de arrecadação extraordinário que vem tendo nos últimos anos".   Na última terça-feira, a bancada do PSDB no Senado decidiu encerrar as negociações com o governo e votar contra a prorrogação do tributo. O posicionamento dos senadores contraria Serra e o governador mineiro Aécio Neves, que têm trabalhado nos bastidores pela continuação da cobrança. Mas só a Executiva Nacional do PSDB pode fechar questão e obrigar seus parlamentares a seguirem a orientação, sob pena de serem punidos até com expulsão. Mapeamento   O mapeamento do Ministério da Fazenda, distribuído entre senadores com o objetivo de convencê-los a votar a favor da prorrogação da CPMF, projeta os valores que cada unidade da Federação pode deixar de receber caso o tributo seja extinto. O dinheiro arrecadado com a CPMF não é repassado diretamente, e sim aplicado em despesas e ações do governo federal nos Estados. Os valores revelados no estudo são baseados nos investimentos federais recebidos entre janeiro e setembro de 2007, que tenham vindo do montante arrecadado com o tributo. São Paulo seria o mais prejudicado de todos os Estados. Nos outros Estados governados pelo PSDB, Minas ganhou R$ 1,61 bilhão;  Rio Grande Sul, R$ 1,05 bilhão; e Alagoas, R$ 213 milhões. Se deixar de receber esse montante, o Estado de São Paulo seria afetado em investimentos considerados essenciais pelo governador. "Cortaria investimentos em estradas vicinais, trens metropolitanos e obras de combate a enchente", afirmou José Serra.   (Com Paulo Darcie, do Estadão)

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