Aécio atenua renegociação de dívidas

O governador eleito de Minas Gerais e atual presidente da Câmara dos Deputados, Aécio Neves (PSDB), atenuou seu discurso de defesa da renegociação de dívidas dos Estados e municípios, condicionou seu apoio ao futuro presidente Luiz Inácio Lula da Silva à escolha de um caminho que fuja do "patrulhamento interno" e que não ponha em risco a estabilidade econômica e o equilíbrio fiscal. Deixou claro, também que, entre os tucanos, o nome de Fernando Henrique Cardoso encabeça a lista de presidenciáveis para 2006. O futuro governador mineiro fez suas declarações no programa Canal Livre, da Rede Bandeirantes.Mesmo reafirmando que Minas passa por sérias dificuldades financeiras, Aécio Neves reconheceu que a renegociação da dívida de seu Estado para com a União só poderá ocorrer após o futuro governo petista conseguir aprovar a reforma tributária. "Quem sabe não é hora de nós iniciarmos - essa frase é meio perigosa, mas eu vou ousar dizê-la - uma nova política de governadores, ao contrário daquela que se fez décadas atrás, onde a chantagem e a pressão orientavam essa ação. É momento de mostrarmos desprendimento", pregou.Dar tempo ao novo governoAécio disse estar disposto a apoiar, além da reforma tributária, a reforma política e a tributária, advertindo que o momento ideal para aprová-las no Congresso é nos primeiros meses do novo governo. Prometeu não pedir nada ao futuro presidente nesta fase. "Vamos ajudar para que o governo Lula se instale e se viabilize. E a partir daí vamos discutir a questão da federação. Eu não vou colocar a faca no peito de ninguém, para amanhã negociarmos a dívida de Minas, do Rio Grande do Sul, do Rio de Janeiro ou de outros estados que estão em dificuldades. Mas, dentro de uma reforma tributária, nós vamos ter de estabelecer o equilíbrio federativo. E aí pode ser que nós tenhamos alguma (renegociação). Nós temos de dar um tempo ao Lula e, mais do que isso, apoio, sem cobrança nenhuma."O PSDB na oposiçãoAécio Neves defendeu um PSDB atuando na oposição, mas não da forma como o PT agiu em relação ao governo Fernando Henrique. "O PSDB, na minha avaliação, deve ter uma posição clara de não participação no governo. "E deu este recado ao futuro presidente: "É preciso que o PT diga, que o Lula diga, qual é a agenda que ele considera fundamental para executar o seu projeto de governo. Se a gente encontrar pontos positivos, vamos votá-los."Dois caminhos"O Dia D do Lula vai ser no momento em que ele montar o seu governo, porque ele tem dois caminhos", continuou Aécio. "Um, e eu espero que o siga para contar com a nossa solidariedade, é o de compreender que teve nessa eleição uma votação foi muito maior que a do PT. Ele foi eleito num momento de esperança por parte da sociedade brasileira. Se ele compreender isso, e montar um governo onde o patrulhamento interno seja contido, onde a tutela ou a pressão, que certamente ele vai ter dos seus partidários, seja limitada, e construa um governo com as melhores cabeças, as melhores inteligências deste País, ele contará com o nosso apoio. Se ele for por um outro caminho, e ceder a essas pressões, e eu tenho notícia de que estão vindo com vigor muito grande, aí eu temo realmente pela frustração das expectativas que hoje existem no País. Portanto, nós devemos estar dizendo, e a minha palavra será sempre nessa direção, que o caminho é o da garantia da estabilidade, da construção de um projeto de desenvolvimento fundado em raízes sólidas, um projeto exeqüível. Aí, ele terá a nossa solidariedade."Fernando Henrique para presidente em 2006Aécio Neves disse não haver procedência nas especulações de que ele já estaria se postando como o presidenciável tucano para 2006. Afirmou que, antes dele, existem nomes credenciados para essa postulação, citando como exemplo o governador paulista Geraldo Alkmin e o ex-governador cearense Tasso Jereissati. E, depois de incluir o próprio José Serra, arrematou: "Eu vou citar um (outro nome) aqui, certamente eu talvez vá omitir outros, que eu não tiraria de uma lista de presidenciáveis, que é o Fernando Henrique Cardoso. Primeiro, porque eu acho que a história vai fazer justiça a Fernando Henrique. Ele foi um grande presidente. Nós tivemos ao longo destes oito anos cinco grandes crises internacionais, mas tivemos avanços sociais que chegaram à casa das pessoas?.Segundo Aécio, este governo, tanto do ponto de vista da estabilidade econômica, como do fim do paternalismo e do fisiologismo nas ações sociais, teve avanços muitos grandes e o tempo permite que essa análise seja feita com maior isenção. ?Eu ainda vejo vigor no presidente Fernando Henrique, um político em disponibilidade para enfrentar desafios. E ele será (ao deixar o governo) o grande consultor da nacionalidade", afirmou.

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