Andre Dusek/Estadão
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Aécio apresenta projeto para que Bolsa Família seja 'política de Estado'

Senador mineiro não esconde que anúncio foi feito para eliminar o discurso de que a oposição pretende acabar com o programa de transferência de renda

Erich Decat e Débora Álvares , Agência Estado

30 Outubro 2013 | 18h30

Brasília - O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), disse nesta quarta-feira, 30, que o momento não é para comemorações em torno do Bolsa Família, mas de cuidar das famílias que compõem este programa. Com base nisso, ele protocolou projeto no Senado que altera a lei que trata da assistência social e vincula o Bolsa Família ao Fundo Nacional de Assistência Social, com recursos garantidos da Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS).

"A partir da aprovação desse projeto, o Bolsa Família deixa de ser um programa de um governo ou de um partido político e passa a ser uma política de Estado", afirmou."Hoje temos 2 milhões de crianças do Bolsa Família que não são acompanhadas. Existe mais de 1,5 milhão de crianças que estão com rendimento escolar abaixo da média. Nós queremos deixar para trás o tempo da comemoração para efetivamente cuidarmos de verdade das famílias que compõem o programa", disse o tucano.

As declarações do tucano ocorreram poucas horas depois do evento realizado em Brasília, em que a presidente Dilma Rousseff comemorou os dez anos de criação do Bolsa Família, ao lado do ex-presidente Lula e integrantes do governo.

Aécio disse que deve também apresentar, em breve, outra proposta que garanta que os pais de família, que conseguirem emprego de carteira assinada, possam receber por seis meses os benefícios do programa. "O grande temor das famílias que recebem o Bolsa Família e se reintroduzem no mercado de trabalho é, depois, eventualmente, perderem o emprego e terem dificuldade de serem recadastradas", justificou.

Provável candidato tucano à presidência em 2014, Aécio admitiu que as medidas anunciadas tinham por objetivo tentar eliminar o discurso dos governistas de que a oposição pretende acabar com o programa que beneficia milhares de brasileiros.

"A maior homenagem é tirar o tormento, a angústia das pessoas, que toda véspera de eleição, são atemorizadas pela leviandade de alguns que acham que seus adversários irão, em determinado momento, terminar o programa", afirmou o tucano.

Ele também ressaltou que foi o partido quem começou com os programas de transferência de renda, na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. "Quem deveria, na minha avaliação, ser homenageado era o ex-presidente Fernando Henrique que iniciou os programas de transferência de renda."

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