Aécio, Alckmin e Richa vão tomar o lugar do trio FHC, Serra e Tasso

Time tradicional de tucanos sai de cena e entra uma nova geração, que chega com bom desempenho nas urnas

Christiane Samarco, de O Estado de S.Paulo

01 de novembro de 2010 | 20h39

BRASÍLIA - O PSDB sai destas eleições com o comando nacional renovado. Abertas as urnas, um time tradicional de tucanos sai de cena e entra em campo uma nova geração de dirigentes. O núcleo do poder, no entanto, deverá continuar nas mãos de um triunvirato. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o senador Tasso Jereissati, ex-presidente do partido que perdeu a disputa pela reeleição no Ceará, e o candidato José Serra passam à reserva. Dão lugar a um trio mais jovem, composto pelo senador eleito Aécio Neves (MG), 50 anos, e os governadores de São Paulo, Geraldo Alckmin, 57 an os, e do Paraná, Beto Richa, 45 anos, o caçula da turma que ingressou na vida pública aos 29 anos, como deputado estadual.

 

A despeito da derrota na disputa presidencial, o partido mantém um quinhão de poder expressivo para dar visibilidade à oposição do ponto de vista nacional.

 

Além de São Paulo e Paraná, os tucanos também elegeram os governadores de Minas Gerais, Antonio Anastasia, e de Goiás, Marconi Perillo.

 

O fenômeno da renovação de comando não é exclusividade do PSDB. Afinal, as mesmas urnas que dizimaram expoentes tucanos como o líder no Senado, Arthur Virgílio (AM), impuseram derrota a líderes expressivos do DEM. O presidente Lula elegeu alguns oposicionistas como alvos e abateu, pessoalmente, os senadores Tasso Jereissati, Heráclito Fortes (PI) e Marco Maciel (PE), que foi vice presidente da República na gestão FHC.

 

Dos líderes tradicionais da cúpula do partido Democratas no Senado, apenas José Agripino (RN) foi bem sucedido e se reelegeu. A nova geração de dirigentes do DEM inclui os deputados Paulo Bornhausen (SC), filho do ex-presidente do partido Jorge Bornhausen, e ACM Neto (BA) - seu pai, o senador ACM Júnior, disputou o Senado na suplência do deputado José Carlos Aleluia (BA) e foi derrotado.

 

O ex-prefeito do Rio de Janeiro César Maia tentou voltar ao Congresso, mas perdeu a disputa por uma cadeira de senador. Para seu consolo, o filho Rodrigo Maia, que preside o partido, volta a Câmara como deputado federal.

 

Estreante forte. Ao estrear nas urnas com uma vitória convincente, Antonio Anastasia, 49 anos, engrossa a nova geração de dirigentes tucanos. Alckmin já foi governador, é verdade, mas há uma avaliação no tucanato de que só agora ele ingressará no núcleo de decisão da cúpula nacional. Chega reforçado pela parceria leal e bem sucedida com Aécio.

 

Como a regional de São Paulo tem sido, tradicionalmente, a mais forte da legenda, a hegemonia paulista no comando partidário foi absoluta ao longo dos 25 anos de PSDB. Agora, no entanto, Aécio e Beto Richa entram para dar o reclamado equilíbrio regional à cúpula tucana.

 

Aécio traz na bagagem oito vitórias seguidas nas urnas, ao longo dos últimos oito anos, a última delas superlativa. Além de fazer o sucessor e de conquistar uma cadeira no Senado, conseguiu derrotar todos os adversários no Estado. A lista dos derrotados inclui o PT do ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, que disputou vaga de senador e perdeu porque Aécio se elegeu senador em dobradinha com o ex-presidente Itamar Franco, do PPS.

 

Beto Richa enfrentou e venceu PT, PMDB e PDT no Paraná, e ainda chega à cúpula tucana com a força do sobrenome. O pai e ex-senador José Richa foi fundador do PSDB ao lado de Serra, FHC, Franco Montoro e Mário Covas, e também presidiu o partido. Como ajudou bastante na campanha presidencial, Richa tem a gratidão de Serra e tem a vantagem de não ser considerado um estrangeiro pelos dirigentes paulistas.

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