Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Aécio afirma ser candidato da 'confiança'

Para pré-candidato tucano, vitória pode ter 'efeito inverso' ao de 2002, quando Lula assustava mercado e precisou fazer carta aos brasileiros

Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

03 Junho 2014 | 07h14

SÃO PAULO - O senador Aécio Neves, pré-candidato do PSDB à Presidência da República, afirmou nesta segunda-feira, 2, que sua vitória na eleição de outubro vai significar o resgate da confiança na economia e a criação de um ambiente propício às reformas tributária e política. “Expectativa é um componente importante. Tenho expectativa de que poderemos ter um efeito inverso ao ocorrido em 2002 (na eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva), quando era uma imprevisibilidade e ele foi obrigado a fazer uma carta aos brasileiros”, afirmou.

A uma plateia formada por cerca de 300 empresários de vários setores que participaram de um debate promovido pelo Estado e a agência Corpora Reputação Corporativa, o senador ironizou a afirmação da presidente Dilma Rousseff feita a empresários de que em novembro as coisas vão melhorar. “Mas, para melhorar, é preciso um detalhe: ela perder as eleições e nós vencermos.”

O tucano voltou a defender a reforma política e disse que, se eleito, pretende usar seu capital político para adotar uma agenda de reformas que reduza o número de partidos - para oito-, que propicie o voto distrital misto, que acabe com o direito à reeleição e estabeleça um mandato de cinco anos para todos os cargos eletivos.

Segundo Aécio, uma vitória do PSDB pode “melhorar o clima de confiança” e dar segurança jurídica” para as reformas.

Preços dos combustíveis. Durante o evento, o senador mineiro foi questionado por representantes do setor sucroalcooleiro sobre quando ele reajustará, caso eleito, o preço da gasolina, que foi represado pelo governo para evitar o aumento da inflação. “Eu vou dizer uma palavra que eu acho que resume aquilo que nós vamos fazer: previsibilidade. Regras claras”, afirmou. 

O tucano disse ainda que seria “irresponsável” antecipar qualquer anúncio sobre o aumento do preço do combustível sem efetivamente estar no governo. “Eu não posso anunciar nada sobre isso sem saber efetivamente os números do governo e da própria Petrobrás”, afirmou o pré-candidato.

Agronegócio. Depois de ouvir o presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Gustavo Lins Junqueira, defender a unificação em um mesmo ministério as pasta da Agricultura, Meio Ambiente e Desenvolvimento Agrário, o senador tucano evitou se comprometer com a proposta, mas criticou a utilização do Ministério da Agricultura como moeda de troca política. A pasta é atualmente comandada pelo PMDB, que apoia a reeleição da presidente Dilma Rousseff.

De acordo com Aécio, nos últimos anos a troca de cargos dentro da pasta tem sido feita mais como manobra política do que para a entrada de técnicos e especialistas do segmento. “É comum ver indicações que são feitas sem qualquer sintonia com o setor”, declarou.

O pré-candidato ao Palácio do Planalto comentou que, na Agrishow deste ano, tradicional feira do setor agropecuário realizada em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, encontrou-se com técnicos da Embrapa que pediram o “salvamento” da empresa de pesquisa do agronegócio nacional. 

Segurança pública. Quando o debate entrou no tema da segurança, o senador afirmou que há hoje uma “omissão criminosa” na política do setor. Segundo ele, do total de recursos que são investidos em segurança, 87% vêm dos Estados. “Só 13% vêm do governo federal, que apropria de 60% dos impostos arrecadados no País”, disse.

Aécio defendeu que a política de segurança seja passada para a responsabilidade dos Estados. Ele criticou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que disse que as cadeias no Brasil são masmorras medievais. “Ele está à frente do ministério há três anos e só aplicou 10,5% de todo o recurso contingenciado para a segurança”, afirmou o pré-candidato tucano. 

Regulação da mídia. O senador criticou a proposta defendida pelo PT de revisar a legislação que trata da regulamentação da mídia no Brasil. “A democracia é um patrimônio que não temos o direito de permitir que seja ameaçado. A liberdade de imprensa é vital em qualquer sociedade democrática.”

O tucano alertou que isso poderá ocorrer em outras áreas e ficar ainda mais grave se o atual grupo político (de Dilma) vencer essas eleições, em razão do que classificou de “ausência de limites do atual governo”. 

Ele citou que negociações políticas sempre ocorreram no Brasil, mas “hoje isso é vergonhoso, pois um partido que dá cinco segundos (no horário de TV) para a presidente da República recebe uma diretoria de banco ou uma diretoria da Caixa e por aí vai”.

Aparelhamento. O senador tucano aproveitou o evento desta segunda para retomar uma de suas críticas mais recorrentes ao governo do PT - o “aparelhamento” do Estado. 

Essa prática, segundo o pré-candidato tucano à Presidência, alcançou instituições como Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As críticas se estenderam ao Itamaraty, que, no seu entender, vive atualmente um alinhamento ideológico anacrônico.

O tucano insinuou, ainda, que uma eventual reeleição da presidente Dilma Rousseff poderia comprometer a independência do Supremo Tribunal Federal. “Depois da saída precoce do ministro Joaquim Barbosa (que anunciou sua aposentadoria do Supremo Tribunal Federal na semana passada), no próximo governo serão abertas cinco novas vagas na Corte. Eu não preciso falar mais nada.” COLABORARAM FRANCISCO CARLOS DE ASSIS, ELIZABETH LOPES e SUZANA INHESTA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.