Aécio afirma que vai lançar plano de governo aos poucos

O candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, recuou da promessa de lançar seu programa de governo ontem. A justificativa oficial é a mesma dada pela presidente Dilma Rousseff: "ninguém lê" planos de governo. Em vez de documento impresso, os projetos tucanos serão anunciados e discutidos pelo Facebook pelos coordenadores de área temáticas e lançados de forma fatiada durante esta última semana de campanha antes do 1º turno. Dessa forma, o programa completo do candidato do PSDB poderá ser conhecido pelo eleitor apenas a dois dias do 1.º turno.

PEDRO VENCESLAU, ENVIADO ESPECIAL, E ELIZABETH LOPES, Estadão Conteúdo

30 de setembro de 2014 | 08h04

A estratégia de Aécio, na verdade, visa a evitar polêmicas como as que marcaram a adversária do PSB, Marina Silva, alvo de críticas após recuar de propostas e posições publicadas em documento impresso de mais de 200 páginas, em 29 agosto. Ao mesmo tempo, protege o tucano de eventuais ataques por não apresentar um programa de governo, a exemplo do que decidiu fazer Dilma. "Apresentar o programa de governo pela web é a forma mais democrática e honesta de discutir um documento dessa complexidade", afirmou Aécio na manhã de ontem, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. "Não vou divulgar um calhamaço (de papel) porque ninguém vai ler. Vou apresentar um programa para ser debatido e colocado em prática", disse oi tucano, repetindo a presidente, que anteontem afirmou que "modernidade não é um calhamaço de papel".

Na sexta-feira, em ato de campanha em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, Aécio havia dito que o programa de governo seria anunciado ontem, mas em nenhum momento mencionou a estratégia de fatiar o documento ou que não seria ele próprio a divulgar as propostas. O tucano afirmou ontem que vai "gastar sola de sapato" pelo País na última semana de campanha.

O candidato do PSDB está em terceiro na corrida eleitoral. Para tentar chegar ao 2.º turno, Aécio concentrou a agenda nos maiores colégios eleitorais do País, todos no Sudeste: São Paulo, Minas e Rio. Ontem, depois de São Bernardo, o tucano visitou Uberlândia (MG) e Belo Horizonte. Aécio decidiu fatiar o programa em quatro áreas gerais: Sustentabilidade, semeando o presente para colher o futuro; Estado democrático, soberano, solidário e eficiente; Cidadania plena: direitos do cidadão e da sociedade e desenvolvimento para todos - este último dividido em dois dias de apresentação -; e por fim o capítulo das políticas macroeconômicas.

A apresentação de cada fatia será feita pelos coordenadores setoriais. Ontem, quem abriu a discussão com internautas foi o ambientalista Fábio Feldmann. Hoje, será a vez do ex-governador de Minas e candidato ao Senado Antonio Anastasia, responsável pela melhoria da gestão pública.

Amanhã e quinta-feira, quem vai conversar com internautas sobre programas sociais, políticas de educação e saúde. Uma das coordenadoras da área é Maria Helena Guimarães de Castro, ex-presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) na gestão FHC. Segundo Aécio, a "complexidade" e a "ousadia" das propostas para "não apenas administrar a pobreza, mas para superar a pobreza", levaram a essa subdivisão.

Por fim, o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga vai falar sobre economia na sexta-feira, antevéspera do 1.º turno. O virtual ministro da Fazenda de Aécio será poupado de uma saia-justa enfrentada pelo próprio candidato: o programa tratará de forma genérica o fim do fator previdenciário. O tucano prometeu acabar com o cálculo redutor de aposentadorias, mas voltou atrás e disse que vai buscar uma "alternativa" para substituí-lo.

Ontem, ao explicar o fatiamento do programa, Aécio disse ter dado aval ao documento. "O programa está pronto. Fiz alguns ajustes até para fazer uma síntese, porque não é só um diagnóstico. Fui o único a apresentar propostas para o Nordeste, com metas claras, como reduzir em oito anos os índices de criminalidade e incluir os índices de educação dessa região na média nacional." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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