Advogados reagem à 'piada' feita por Barbosa sobre a categoria

Presidente da CNJ teria insinuado que juristas começam a trabalhar tarde

Gabriel Manzano, O Estado de S. Paulo

15 de maio de 2013 | 19h49

SÃO PAULO - Quatro entidades dos advogados de São Paulo divulgaram nesta quarta-feira, 15, notas em que repudiam o comportamento do ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, que em debate no Conselho Nacional de Justiça, na terça-feira, fez ironias sobre a hora em que advogados habitualmente começam a trabalhar. Reações como "reprovável", "absolutamente lamentável", "inadequada e deselegante", "conduta incompatível" estão presentes em notas oficiais das seções paulistas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), da Associação dos Advogados de São Paulo (AASP), do Movimento de Defesa da Advocacia (MDA) e do Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP).

O episódio ocorreu em debate no Conselho Nacional de Justiça, que discutia a decisão do TJ paulista sobre a hora em que advogados começam a trabalhar. "Mas a maioria dos advogados não acorda lá pelas 11 horas da manhã, mesmo?", perguntou Barbosa. Depois, o ministro afirmou que havia apenas feito "uma brincadeira".

As notas. Na nota assinada por seu presidente, Marcos Barbosa, a OAB "lamenta profundamente e considera reprovável a manifestação (de Barbosa) proferida durante sessão que analisava medida interposta pelas entidades representativas da advocacia (OAB SP, AASP e IASP), questionando a restrição de horário imposta aos advogados nos fóruns estaduais".

Segundo a Ordem, na Justiça do Estado tramitam 20 milhões de processos, sendo possível, desta forma, afirmar categoricamente que os advogados paulistas são operosos e não podem aceitar a pecha que quis lhes atribuir o presidente do CNJ". E acrescenta: "Lembramos que o episódio não é isolado, somando-se a uma série de manifestações inoportunas e extemporâneas feitas pelo ministro em diferentes ocasiões".

A AASP manifesta "veemente repúdio" e reproduz o clima do debate no CNJ, afirmando que Barbosa estava "visivelmente incomodado com a dificuldade que enfrentava para convencer seus pares de que sua opinião pessoal sobre o assunto deveria prevalecer, mesmo diante do texto expresso de uma lei federal e da jurisprudência do próprio órgão" e fez uma indagação "de forma jocosa". Diz ainda que o comportamento do ministro "não se coaduna com o comportamento que se espera do presidente do CNJ, assim como da mais alta corte do país".

O Movimento de Defesa da Advocacia manifesta "perplexidade e frontal desaprovação com a forma inadequada e deselegante" usada pelo ministro.

Por fim, o Instituto dos Advogados de São Paulo "manifesta seu repúdio pelo comentário desrespeitoso do ministro".

 

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