Advogados de Taniguchi têm acesso a documentos de caixa dois

Os advogados que defendem o prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), nas denúncias de omissão de gastos na campanha eleitoral do ano passado, conseguiram nesta segunda-feira acesso aos documentos e depoimentos já realizados na Promotoria de Proteção ao Patrimônio Público. A determinação foi dada pelo juiz da 1ª Zona Eleitoral de Curitiba Espedito Reis do Amaral. O Ministério Público vai pedir reconsideração da sentença.O promotor Valclir Natalino da Silva também apresentou hoje uma cópia autenticada de dois livros chamados Movimento de Caixa, que deram início às denúncias. Neles estão registrados vários valores de entrada e saída, com nomes de dezenas de pessoas, que somam quase R$ 33 milhões. Esse valor, de acordo com a denúncia, foi utilizado pela coligação liderada pelo PFL, que reelegeu Taniguchi à prefeitura. No entanto, o partido registrou apenas R$ 3,1 milhões no Tribunal Regional Eleitoral.Ele disse que os livros originais não ficarão na Promotoria por questão de segurança. Também foram entregues alguns talonários de cheque, com folhas em branco assinadas pelo presidente do comitê financeiro do PFL, Mário Lopes Filho. "Temos confirmação da autenticidade dos documentos, que terão valor perante a Justiça", disse Silva. No livro aparece apenas a letra do tesoureiro da campanha, Francisco Paladino Júnior, uma das principais testemunhas do MP.O coordenador da defesa do prefeito e do PFL, Antonio Augusto Figueiredo Basto, ficou boa parte do dia na Promotoria analisando os documentos e depoimentos. "Mas ainda não posso falar porque vi pouca coisa", afirmou. Mas ele comemorou a decisão do juiz. "Agora as coisas ficam equilibradas." Ele disse que os advogados estarão acompanhando todos os depoimentos.Basto reclamou sobretudo de a imprensa estar tendo acesso aos documentos, enquanto esse direito era negado aos advogados. O advogado garantiu que, mesmo tendo acesso a todos os atos, manterá o sigilo dos depoentes que pedirem. O promotor Valclir da Silva disse que o MP vai recorrer alegando que algumas pessoas que deveriam ser convidadas a depor podem se sentir constrangidas em razão de os advogados da parte contrária terem acesso.

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