Advogado tenta ridicularizar índio Galdino

O advogado Heraldo Paupério, defensor dos quatro rapazes que queimaram vivo o índio pataxó Galdino Jesus dos Santos em 1997, em Brasília, tentou na noite desta sexta-feira, no julgamento deles, no Tribunal de Justiça de Brasília, ridicularizar a vítima. Disse que Galdino estava bêbado quando foi queimado, enquanto dormia num ponto-de-ônibus da capital federal, na madrugada de 20 de abril, e que teria sido acusado de queimar um sobrinho na Bahia.Uma das primas do Galdino, a pataxó Anaiá, teve uma crise nervosa e chorou. Foi atendida no posto médico do tribunal. Contrariados com as declarações do advogado, os índios que acompanhavam o julgamento deixaram o tribunal e disseram que pedirão ao Ministério Público que processo Paupério por calúnia.A juíza Sandra de Santis, que preside o Tribunal do Júri, anunciou que a defesa teria mais uma hora para fazer a sustentação oral. Depois terá espaço para réplica da acusação e tréplica dos advogados de defesa. Concluída essa fase, os jurados se reunirão em uma sala com a juíza e responderão a um questionário com perguntas objetivas, entre elas se eles cometeram ou não o crime e se tinham ou não a intenção de matar o índio.Só depois disso, a juíza definirá a pena dos réus. Pela previsão da juíza, o julgamento se estenderá até as 3 horas da madrugada.

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