Advogado revela acerto com cubanos

Villena não só fechou contrato com os dois boxeadores como os acompanhou até o consulado alemão no Rio

Marcio Damasceno e Gabriel Manzano Filho, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2014 | 00h00

Foi o advogado Rafael Villena y Scheffler, que trabalha para a empresa alemã Arena Box Promotion, quem negociou com os dois boxeadores cubanos, Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara, a transferência de ambos para Hamburgo, na Alemanha, na última semana de julho.O advogado não só fechou contrato com os dois como os acompanhou até o Consulado da Alemanha no Rio, onde ambos deram entrada em papéis e vistos para se transferirem para a Alemanha. Feito isso, o advogado retornou a Hamburgo, onde tem seu escritório. Seu projeto era voltar ao Rio quando toda a documentação estivesse pronta, para acompanhar os cubanos na viagem até seu novo destino.Segundo informou no fim de semana a revista Der Spiegel, o dono da Arena, Ahmet ?ner, teria aceitado pagar entre 500 mil e 600 mil (entre R$ 13 milhões e R$ 17 milhões) a uma empresa intermediária, a Black Star, para negociar e colocar os lutadores ao seu dispor.A operação, que já havia dado certo em dezembro, quando a mesma Arena Box Promotion contratou outros três lutadores de Cuba que treinavam em Caracas, na Venezuela, desta vez não funcionou. Cinco dias depois de assinar os papéis, Rigondeaux e Lara procuraram contato com a Polícia Federal e, após várias entrevistas, foram recambiados para Cuba.Em entrevista ao Estado, ontem, o advogado confirmou que Rigondeaux e Lara desistiram, provavelmente, ao saber das ameaças que as suas famílias vinham sofrendo. ''''Soubemos que as famílias deles em Cuba chegaram a perder casa e carro e houve a prisão de gente próxima ao círculo familiar deles'''', explicou Villena y Scheffler.O consulado alemão do Rio confirmou que os dois cubanos estiveram lá para preencher a papelama que lhes permitiria trabalhar em Hamburgo. As revelações de Villena e a confirmação do consulado contradizem as informações dadas pelos dois boxeadores à Polícia Federal. Localizados em Araruama (RJ) no dia 3 de agosto, eles disseram que haviam pensado em fugir, mas em seguida desistiram do intento.Os atletas começaram a se arrepender, segundo Villena, após falarem com a família por telefone, ainda em Araruama. ''''Antes de eles serem pegos pela polícia, pelo menos Lara começou a se lamentar, depois de ter telefonado para os parentes em Cuba'''', disse. ''''Eles não estavam totalmente certos se queriam deixar ou nãoo seu país.''''O advogado da Arena Box Promotion também acha que as autoridades brasileiras não agiram corretamente. ''''Como é possível que numa hora digam que eles tinham três meses de visto e noutra afirmem que tinham visto só até dia 29 de julho?'''', questiona. ''''Juridicamente, o processo parece ter acontecido de forma bastante duvidosa''''. Ele se queixa, ainda, de que os advogados brasileiros por ele contratados ''''só puderam ter acesso aos pugilistas horas depois da detenção deles''''.Villena confirmou que a negociação foi possível, no Rio, com a ajuda de outro alemão, Thomas Dõring. Este encarregou-se da parte inicial, mais delicada, de fazer as sondagens e propor aos dois boxeadores fugir da delegação e se transferir para Hamburgo. Dõring estava a serviço da Black Star Factory, que não tem endereço definido e é especializada nesse tipo de abordagens.

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