Advogado que fez denúncia pede proteção de vida à PF

O advogado Bruno Lins, autor da mais recente denúncia contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que resultou no quarto processo de cassação, pediu ontem garantias de vida à Polícia Federal, em razão do espancamento que sofreu na madrugada do sábado, em uma boate de Brasília. Lins atribuiu a agressão ao desafeto Robério Negreiros Filho, que teria contado com a ajuda de quatro seguranças da sua empresa, a Brasfort, suspeita de envolvimento em esquema de desvio de recursos públicos de estatais comandadas pelo PMDB.Robério é namorado de Flávia Garcia Coelho, ex-mulher de Lins. Os dois se encontraram na boate e, após troca de insultos, ocorreu a agressão. O advogado recusou o programa de proteção a testemunha, pelo qual teria de mudar de identidade. Mas aceitou um esquema de proteção alternativo e comprometeu-se a evitar exposição pública enquanto correr risco.Lins, que foi casado com Flávia até 2005, denunciou um gigantesco esquema de desvio de verba pública em ministérios e órgãos públicos comandados pelo PMDB. O fruto do desvio seria partilhado entre caciques do partido, entre os quais Renan, que nega a acusação.O esquema seria operado pelo sogro do advogado, o lobista Luiz Carlos Garcia Coelho, que se apresentaria como representante de Renan nas negociações de contratos superfaturados. Lins reafirmou que Renan mandava em várias áreas do serviço público, em especial a Fundação Nacional da Saúde (Funasa) - ele teria indicado número significativo de diretores para o órgão, de onde sistematicamente haveria desvios. Lins saiu da PF pela portaria privativa, mas seu advogado, Eduardo Caixeta Marinho, confirmou o esquema: "Na Funasa, os nomeados eram como uma floresta de árvores genealógicas. Eles se articulavam como quadrilha para assaltar os cofres públicos."

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