Advogado que acusou Renan depõe hoje à PF

Lins diz ter testemunhado esquema de desvio de dinheiro para políticos

Vannildo Mendes, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2006 | 00h00

A Polícia Federal interroga hoje o advogado Bruno de Miranda Lins, que afirmou, em depoimento à Polícia Civil de Brasília há um ano, ter testemunhado um gigantesco esquema de coleta de recursos desviados do governo federal para políticos do PMDB. O dinheiro teria saído de vários ministérios, subtraído de contratos de obras públicas, para esses políticos, entre os quais o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), e o líder do governo na Casa, Romero Jucá (RR).Em setembro de 2006, Lins denunciou o esquema à polícia, mas as informações foram engavetadas pelo delegado e acabaram nas mãos de chantagistas, que tentaram achacar os políticos e empresários citados. Há um mês, a direção da Polícia Civil descobriu o golpe e mandou cópia do depoimento para a Polícia Federal. Em entrevista às revistas Época e Veja no fim de semana, o advogado confirmou as informações e o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, pediu todos os dados sobre o caso.Depois de vários dias à procura de Lins, só na terça-feira à noite a PF conseguiu localizá-lo. Ele deu algumas informações preliminares e comprometeu-se a dar depoimento formal hoje às 10 horas. O procurador recebeu cópia do depoimento antigo e aguardará o novo para verificar se há elementos úteis ao inquérito que investiga fraudes financeiras e lavagem de dinheiro no banco BMG, que teria sido também usado no esquema de propina para políticos peemedebistas. Souza também verificará se há elementos úteis para o inquérito, aberto por ele há um mês no Supremo Tribunal Federal, para investigar suspeitas de enriquecimento ilícito, uso de documentos falsos, prevaricação e crimes financeiros que pesam contra Renan. Se isso se confirmar, alcançará os demais políticos citados. Renan tem dito que se trata de mais uma calúnia. Jucá também nega a acusação. AMEAÇASO depoimento de Lins à Polícia Civil foi dado em 14 de setembro de 2006 ao delegado João Kleiber Esper, da cidade-satélite de São Sebastião. Ele alegou que estava sofrendo ameaças de morte do sogro, Luiz Garcia Coelho, que seria operador financeiro de Renan. O depoimento teria sido tomado a pedido da mãe de Lins, a advogada Paula de Miranda, como forma de resguardá-lo. Paula é amiga do delegado.Lins estava em processo de separação litigiosa da filha de Garcia e se dizia ameaçado porque sabia demais. Alegou ter realizado operações milionárias para o sogro, sempre em esquemas envolvendo recursos públicos e lavagem de dinheiro. Mas o delegado guardou o testemunho na gaveta. Há pouco mais de um mês, a Polícia Civil soube que o depoimento estaria sendo usado pelo empresário Orlando Rodrigues da Cunha para achacar os políticos e empresários denunciados por Lins. Cunha está preso.

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