Advogado protocolou pedidos de impeachment contra Dilma

O advogado Luís Carlos Crema é responsável por cinco dos 19 pedidos de impeachment protocolados junto à Câmara dos Deputados para afastar a presidente Dilma Rousseff (PT), desde 2011. É a pessoa que mais abriu processos individualmente para afastá-la do governo. Crema também protocolou três pedidos de impeachment durante os governos do ex-presidente Lula.

ANA FERNANDES, Estadão Conteúdo

15 de março de 2015 | 08h05

Em entrevista ao Broadcast Político, serviço em tempo real da Agência Estado, o advogado afirma não ter qualquer vinculação política ou associação com o PSDB. Ele afirma representar um grupo de 72 pessoas anônimas que querem lutar contra o que "é errado". Mas se diz contra a manifestação de rua como forma de protesto. "A gente vê é um monte de pessoas reclamando e pedindo impeachment, mas efetivamente na parte prática e jurídica, não vemos nenhuma iniciativa", afirmou.

Crema diz que seu grupo é formado por advogados, clientes e pessoas ligadas a seu escritório, com atividades no Brasil, Estados Unidos, Alemanha, Holanda, China e Japão. O grupo, segundo ele, advoga por manifestações "silenciosas", como não votar, em protesto contra a urna eletrônica. O grupo tem um site chamado "Moralidade Brasil" e uma comunidade no Facebook chamada "Brasil, o grande coração" para divulgar os caminhos legais para moralizar o setor público brasileiro. Abaixo os principais trechos da entrevista:

Broadcast Político - Por que o senhor pede o impeachment da presidente?

Luís Carlos Crema - Cada pedido teve dois ou três fundamentos. O parecer do Ives Gandra (jurista que fez um parecer a pedido de advogado ligado a Fernando Henrique) fala que é possível pedir o impeachment. No nosso ver não só é possível como é devido, porque a própria lei diz que a negligência na administração do patrimônio público é caso de impeachment. A presidente, como administradora máxima da Petrobras, é responsável.

BP - Como o senhor avalia as manifestações marcadas para o domingo, 15?

Crema - Nós não participamos. Porque o que a gente vê é um monte de pessoas reclamando e pedindo impeachment, mas efetivamente na parte prática e jurídica, não vemos nenhuma iniciativa. Nós nos concentramos no fundamento legal, jurídico e político para motivar e para de fato fazer.

BP - Por que vocês são contra a manifestação de rua?

Crema - Embora seja legítima a manifestação, o meio deixa infiltrar pessoas que querem acabar com a legitimidade do protesto. Deve se evitar o confronto, essa quebradeira que houve mesmo em 2013.

BP - Qual a manifestação proposta, então?

Crema - A nossa orientação é o silêncio. A gente defende que ninguém vá votar, porque dessa forma não há como se fazer manipulação das urnas. Se você quer se manifestar, pare o seu trabalho, não pague os tributos, não carregue as mercadorias.

BP - O senhor já parou suas atividades no escritório de advocacia?

Crema - Não. Não conseguimos ainda articular uma paralisação, não temos uma instituição formal, nos organizamos com recursos próprios. Uma das formas inteligentes de nos manifestarmos é não votar.

BP - O senhor é ligado a algum partido?

Crema - Não, somos um grupo independente. A gente recebe denúncias no site, analisa se tem fundamentação legal ou política e vemos quais medidas podemos adotar. No governo Lula, fizemos ações contra o desarmamento, contra a votação eletrônica, em que denunciamos ser ilegal, e os processos de impeachment. Também pedimos a cassação de registro do PT no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e estudamos pedir o fechamento do PMDB.

BP - O senhor tem identificação com o principal adversário do governo, o PSDB?

Crema - Nenhuma, muito pelo contrário. No nosso entendimento, Aécio Neves também não estaria preparado para governar. Ele seria o ''menos pior'', mas também não recebeu nosso voto, porque não votamos.

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