Advogado preso tem banca com 320 funcionários

Tosto, que já atuou para Maluf, soube antecipadamente de cerco, mas aguardou PF em casa

Fausto Macedo e Rodrigo Pereira, O Estadao de S.Paulo

25 de abril de 2008 | 00h00

No início da madrugada de ontem, dois homens deixaram o condomínio residencial no Morumbi onde mora o advogado Ricardo Tosto de Oliveira Carvalho, alvo da Operação Santa Tereza, e foram cercados por agentes da Polícia Federal, que vasculharam seus automóveis.Os dois homens tinham participado de uma reunião com Tosto, que havia retornado de uma viagem a Brasília, onde participou da solenidade de posse do ministro Gilmar Mendes na presidência do Supremo Tribunal Federal. Naquele instante, o advogado ficou sabendo que estava sob cerco dos federais, mas permaneceu em casa. Às 6 da manhã, a PF invadiu sua residência e o prendeu. Seu computador pessoal foi levado.Aos 45 anos, pai de três filhos, formado em direito pelo Mackenzie, Ricardo Tosto, titular do escritório Leite, Tosto e Barros Advogados, teve a prisão decretada judicialmente por suspeita de ligações com o esquema de fraudes com verbas do BNDES.Removido para a Custódia da PF, no bairro da Lapa, ele demonstrava forte abatimento. Na hora do almoço, serviu-se de salada e passou muito mal. À tarde, tomou um achocolatado e, outra vez, sentiu-se mal. Chora convulsivamente.A prisão de Tosto chocou o mundo jurídico. Incrédulos, advogados, juízes, procuradores e ministros trocaram telefonemas freneticamente, o dia todo, em busca de informações sobre a acusação que pesa contra ele. Presidente da Comissão de Reforma do Judiciário da OAB em São Paulo, Tosto tem livre trânsito no gabinete de muitos magistrados dos tribunais estaduais e superiores.Às 17h29, um cliente buscou informações sobre sua situação. Era o deputado Paulo Maluf (PP-SP), ex-prefeito de São Paulo, que telefonou para um amigo de Tosto. Em 2006, Maluf, ficou 41 dias recolhido no mesmo presídio federal onde agora está seu advogado.Tosto atua na advocacia empresarial e tributária. Foi diretor jurídico de grandes firmas, antes de montar seu próprio escritório, hoje situado no Itaim. Quando começou a advogar, há 17 anos, sua banca tinha apenas três advogados. Agora são 320 funcionários e filiais no Rio, em Brasília e em Miami (EUA)."É um homem franco, honesto e muito inteligente", defendeu Paulo Guilherme de Mendonça Lopes, seu sócio. "Sua especialidade são as causas grandes, em valor e em dificuldade. Tosto é homem rico que fez sucesso em muito pouco tempo.""Tosto participou de duas ou três reuniões do conselho do BNDES, que não tem poder decisório para liberar verbas, é órgão meramente consultivo", assinalou Lopes. "Ele foi indicado pela Força para o lugar do João Pedro Moura."

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