Advogado pede para STF separar 'mensaleiro' de 'mensageiro'

Defesa dos irmãos Lamas diz que seus clientes eram 'paus mandados' e estavam cumprindo ordens

23 de agosto de 2007 | 11h16

Délio Lins e Silva, advogado dos irmãos Jacinto Lamas e Antonio Lamas, à época funcionários do deputado Valdemar Costa, pediu aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para separarem o "joio do trigo", separarem "quem era mensaleiro e quem era inocente mensageiro". No caso, os inocentes seriam os clientes que representa.  O Supremo Tribunal Federal (STF) está no segundo dia do julgamento para decidir sobre a instauração de ação penal contra os 40 investigados no escândalo do mensalão.  Veja também: Advogado de Jefferson cita troca de mensagem entre ministros Defesa não está tomada de 'delírio coletivo', diz advogado de Costa Neto'Nunca vi esse tipo de diálogo', diz ministro sobre troca de mensagensFotógrafo flagra conversa entre ministros e STF proíbe fotosSTF tem segundo dia de julgamento do mensalãoSupremo tende a aceitar ação contra os 40 mensaleiros CONJUR: Indícios bastam para que denúncia seja aceitaVeja imagens do julgamento  Íntegra do relatório do ministro Joaquim Barbosa   Quem são os 40 do mensalão  Saiba como o STF vai examinar a denúncia do 'mensalão' Deputados na mira: os cassados, os absolvidos e os que renunciaram Entenda: de uma câmera oculta aos 40 do mensalão      Segundo o advogado, contra os irmãos Lamas constam apenas as idas e vindas ao Banco Rural e à empresa SMP&, do publicitário Marcos Valério, para pegar dinheiro que Costa Neto alegava ser legal - ou seja, eles não saberiam da origem ilícita - e dizendo que os valores eram referentes a pagamento de dívida de campanha eleitoral.  "Meus clientes eram 'paus mandados' e estavam cumprindo ordens. A denúncia não considerou esse fato. Por que não foram tratados como homens de bem? Por que estão no mesmo balaio como corruptos e lavadores de dinheiro?", questionou. E desqualificou a denúncia quanto aos dois.  Jacinto Lamas é ex-tesoureiro do PL (atual PR) e acusado de formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Seu irmão Antônio é acusado por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro O esquema do mensalão - pagamento de uma suposta mesada a parlamentares para votarem a favor de projetos do governo - foi denunciado por Roberto Jefferson, então deputado pelo PTB e presidente da legenda, que acabou sendo cassado por conta de seu envolvimento.    Segundo Jefferson, os pagamentos mensais chegavam a R$ 30 mil e o esquema de repasse do dinheiro era feito através de movimentações financeiras do empresário Marcos Valério. Dos acusados de envolvimento no esquema, foram cassados José Dirceu, Roberto Jefferson (PTB-RJ), que denunciou o mensalão, e Pedro Corrêa (PP-PE). Quatro parlamentares renunciaram para fugir do processo e 11 foram absolvidos. Ex-tesoureiro do PTB Itapuã Prestes de Messias, advogado de Emerson Palmieri, ex-tesoureiro informal do PTB, afirmou que seu cliente não tinha conhecimento que os recursos vindos do PT para o partido tinham origem criminosa. E desqualificou a denúncia dizendo que não há referência específica de que forma Palmieri teria contribuído para o esquema do mensalão.  O advogado disse ainda que como o PTB já era da base aliada do governo e não haveria motivos para receber pagamentos em troca de apoio. Palmieri é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

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