Advogado nega suborno e diz que Braz foi alvo de cilada

Renato de Morais diz que encontro entre assessor de Dantas, Chicaroni e o delegado foi para 'negociação'

Carolina Ruhman, da Agência Estado

06 de agosto de 2008 | 17h40

Renato de Morais, advogado de Humberto Braz , ex-presidente da Brasil Telecom e preso na Operação Satiagraha sob acusação de tentativa de suborno, afirmou que seu cliente foi alvo de uma cilada. O advogado negou que Braz tenha participado de algum tipo de vantagem ou promessa financeira a qualquer autoridade pública. Segundo Morais, o encontro entre Braz, Hugo Chicaroni e o delegado da Polícia Federal Vitor Hugo Rodrigues Alves não foi para a realização de uma negociação:"O pouco que se consegue entender (do áudio da gravação) é que foi uma conversa amena sobre assuntos dos mais variados."   Veja Também: Braço direito de Dantas fica em silêncio durante interrogatórioEntenda como funcionava o esquema criminoso As prisões de Daniel Dantas Em entrevista concedida após o término do interrogatório de seu cliente na 6ª Vara Criminal da Justiça Federal, nesta quarta-feira na Capital, Morais disse que "houve uma provocação da autoridade policial para que aquele encontro num restaurante (onde houve a suposta tentativa de suborno) se realizasse e a conversa fosse gravada." E explicou que a tal provocação partiu da autoridade que presidia o inquérito (na ocasião, o delegado Protógenes Queiroz), que colocou um de seus auxiliares para se passar pelo responsável da investigação. A gravação dessa conversa, com a suposta tentativa de suborno de US$ 1 milhão de Braz e Hugo Chicaroni ao delegado Vitor Hugo, para que o nome do sócio-fundador do banco Opportunity, Daniel Dantas, e de seus familiares fossem excluídos do inquérito da Operação Satiagraha, serviu de base para o oferecimento da denúncia contra Dantas, Braz e Chicaroni. O advogado de Braz sustentou que "a provocação da autoridade policial é que levou a essa situação" e negou que houvesse a tentativa de suborno. Morais disse ainda que o contato de Braz com Hugo Chicaroni ocorreu apenas depois que o ex-presidente da Brasil Telecom descobriu que havia sido vítima de uma campana. O advogado disse que a campana teria sido feita por membros da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Com medo de que fosse um seqüestro, Braz pediu que seus advogados localizassem alguém que prestasse serviços à Abin e, dessa forma, chegou a Chicaroni. Apesar da afirmação, Morais disse que desconhece o tipo de serviço que Chicaroni poderia prestar à Abin: "A única notícia que eu tenho é que Chicaroni prestaria serviços para a Abin formalmente, um serviço terceirizado e lícito." No interrogatório, Humberto Braz exerceu o direito de permanecer em silêncio e o advogado destacou que essa postura se deveu ao fato de o juiz ter indeferido o requerimento de transcrição do áudio da conversa do suposto suborno. A transcrição da conversa é vista pela defesa como "peça fundamental" neste processo, sob a alegação de que o áudio apresentado tem uma qualidade muito ruim. "A qualidade do áudio é péssima, você não consegue identificar os locutores ou os diálogos relatados pela autoridade policial", destacou. Apesar de ter permanecido hoje em silêncio, o advogado de Braz disse que ele tem "interesse em falar e contar exatamente o que ocorreu". Nesta quinta-feira, Hugo Chicaroni será interrogado pelo juiz Fausto De Sanctis, titular da 6ª Vara Criminal da Justiça Federal, às 15 horas. No mesmo horário, está marcado o interrogatório de Daniel Dantas. Chicaroni e Braz são os dois únicos envolvidos na Operação Satiagraha que permanecem presos.

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