Advogado movimentou R$ 100 mi, diz MPF

Segundo Ministério Público Federal, Rodrigo Tacla Duran recebeu recursos entre 2010 e 2014, a maior parte de empresas investigadas

Fabio Serapião, O Estado de S.Paulo

04 Setembro 2017 | 05h00

BRASÍLIA - Considerado foragido da Justiça brasileira, o advogado Rodrigo Tacla Duran, que vive na Espanha, movimentou por meio de suas empresas mais de R$ 100 milhões, entre 2010 e 2014. Boa parte desse montante foi repassado por empresas investigadas na Operação Lava Jato, conforme relatório do Ministério Público Federal.

Os valores não contabilizam os repasses da Odebrecht, para quem, segundo a própria empreiteira, Tacla Duran atuava como operador financeiro no exterior. Ele tem feito críticas à delação da Odebrecht.

Ao Estado, Tacla Duran, por meio de nota, afirma que apresentou à Receita Federal os dados sobre os trabalhos prestados por suas empresas e a lista de 81 funcionários e prestadores de serviços ligados ao seu escritório – o Tacla Duran Sociedade de Advogados.

A Receita, por sua vez, em relatório de fiscalização, diz que o escritório “se parece com uma empresa criada para gerar caixa 2 ou viabilizar o pagamento de vantagem indevida para agentes públicos e privados”.

O relatório também diz que “apesar da vultosa receita apurada”, entre 2011 e 2012, o escritório não declarou nenhum “funcionário ou pagamento a contribuintes individuais”.

Segundo o documento produzido pela fiscalização, o escritório recebeu ao menos R$ 25 milhões da Mendes Júnior, R$ 9 milhões da UTC Engenharia e outros R$ 2 milhões da Triunfo – todas já foram alvo da Lava Jato.

Além de empreiteiras envolvidas em desvios bilionários, o escritório de Tacla Duran e outras empresas em seu nome, a Econocell e a TWC, também efetuaram transações milionárias com as firmas de fachada de Adir Assad – apontado como o maior fornecedor de dinheiro em espécie para os esquemas de corrupção investigados pela Lava Jato.

A UTC Engenharia assumiu à Receita a realização de pagamentos simulados para a Econocell e a TWC. Os valores seriam utilizados para formação de caixa 2. Segundo o delator Ricardo Pessoa, presidente da construtora, o serviço oferecido por Tacla Duran era “o levantamento de dinheiro em espécie por meio de contratos fictícios”.

DEFESA. Em nota, o advogado Rodrigo Tacla Duran disse que foi fiscalizado pela Receita por quase dois anos. “Não fui multado e não recebi qualquer sanção da Receita, que produziu um relatório inconclusivo”. O advogado afirma também que seu patrimônio no Brasil e no exterior está declarado. Diz ainda que as acusações da força-tarefa em Curitiba contra ele não foram comprovadas após dois anos de investigação.

A UTC não quis se manifestar. A Odebrecht disse que a participação do advogado “em atividades ilícitas foi informada” na delação. A defesa da Mendes Júnior afirmou que a empresa já explicou os referidos pagamentos em proposta de delação. A Triunfo Participações disse que prestou as informações às autoridades. A defesa de Adir Assad não quis se manifestar

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