Advogado do PP diz que dinheiro do PT foi para campanha de 2004

Para a defesa, o repasse de dinheiro do PT para o partido serviu para honrar dois compromissos políticos

Ricardo Brito, de O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2012 | 17h42

BRASÍLIA - O advogado Marcelo Leal negou nesta quinta-feira, 9, em sustentação oral feita no processo do mensalão, que integrantes do Partido Progressista (PP) tenham recebido recursos do PT para votar a favor de projetos do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, o repasse de dinheiro do PT para o partido serviu para honrar dois compromissos políticos: dar suporte financeiro a candidaturas do PP nas eleições municipais de 2004 e pagar um advogado para o ex-deputado federal pelo partido Ronivon Santiago (AC).  "Cada mandato parlamentar era muito caro para o Partido Progressista", afirmou Leal, referindo-se ao acerto de Ronivon Santiago. O defensor disse que R$ 700 mil sacados pelo ex-assessor do PP João Cláudio Genú serviram para pagar os honorários de Paulo Goyaz, advogado de Santiago. Goyaz, segundo Marcelo Leal, passou a cuidar da defesa de Santiago em processos movidos pelo Ministério Público.

Na sustentação, Leal lembrou um fato curioso: foi o próprio PT quem recorreu ao Ministério Público para questionar a conduta de Santiago que, nas eleições de 2002, havia apoiado o candidato tucano à Presidência, José Serra. Mas, segundo o advogado, esse era um dos empecilhos para que o PP integrasse a base aliada do governo Lula no Congresso.

O defensor disse que o outro acordo entre os dois partidos foi repassar recursos para campanhas municipais do PP no Norte do Paraná, região do ex-líder do partido José Janene (PR), já morto. O Ministério Público sustenta que esse segundo esquema teria se valido de duas corretoras, a Bônus Banval e a Natimar.

Leal pediu a absolvição do ex-presidente do PP e deputado federal Pedro Corrêa dos crimes de formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. "Todas, absolutamente todas as testemunhas citadas pelo Ministério Público e arroladas pela defesa afirmaram que o dinheiro da Bônus Banval, repassados pela Natimar não foram, em absoluto, para a compra de apoio de parlamentares. Eles foram para a campanha política de 2004 em decorrência de um acordo firmado entre o Partido dos Trabalhadores e Partido Progressista", destacou o advogado, que questionou o fato de o MP não ter demonstrado durante o processo a participação de Corrêa no suposto esquema.

A defesa do ex-presidente do PP criticou ainda a Procuradoria-Geral República por ter deixado de denunciar 17 pessoas beneficiárias do esquema montado por Marcos Valério. "Eu só posso acreditar que o Ministério Público não acredita na lista de Marcos Valério", afirmou.

Com base em depoimentos, o advogado de Corrêa disse que o partido, nas supostas votações da Previdência e Tributária, supostamente compradas pelo governo, "manteve fiel à sua bandeira". "O PP não precisava receber para votar de acordo com a sua convicção", disse. E mencionou o fato de que o ex-presidente da legenda nem sequer votou na reforma tributária.

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