Advogado diz ter provas de que polícia forjou flagrante de Rainha

O advogado Hamilton Beloto Henriques encaminhou nesta segunda-feira ao juiz de Teodoro Sampaio (SP), Atis de Araújo, cópia de um boletim de ocorrência elaborado pela Polícia Militar no qual o motorista José Luis da Silva assume a posse da arma que levou à prisão o líder do MST, José Rainha Júnior. Segundo Henriques, o documento comprovaria que a prisão em flagrante de Rainha foi uma armação.Ele voltou a pedir o relaxamento da prisão e a concessão de liberdade provisória ao acusado. O líder dos sem-terra está preso na cadeia pública de Presidente Venceslau desde o último dia 25, quando o carro em que viajava foi parado numa blitz da PM, na rodovia que liga Teodoro Sampaio a Euclides da Cunha. Os policiais encontraram uma escopeta calibre 12, arma de uso restrito, e munição sob o banco do veículo. Rainha teria assumido a posse da arma, por isso foi autuado. O crime é inafiançável.Ao depor na Delegacia de Euclides da Cunha, o motorista Silva afirmou que a arma era de Rainha que, no entanto, negou. No registro da ocorrência feito pela PM no local da blitz, segundo Henriques, o motorista afirma claramente que a arma era sua. "Ele mudou de idéia depois e, não sei por que, passou a acusar o José Rainha." O delegado de Euclides da Cunha, Edmar Trindade Nagai, disse que desconhecia o boletim policial em posse do advogado. Segundo ele, Silva prestou depoimento na Delegacia na sua presença e na do escrivão, sem sofrer tipo de coação.Henriques tenta ainda nesta segunda-feira uma audiência com o juiz Araujo. Ele espera que, diante da prova, o magistrado reveja o despacho em que negou, na sexta-feira, o relaxamento da prisão de Rainha.Na expectativa de uma decisão favorável à soltura de Rainha, o advogado adiou o pedido de habeas corpus que entraria hoje no Tribunal de Alçada Criminal, em São Paulo.

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