Advogado diz que réu usou dinheiro para pagar caixa 2

O advogado João dos Santos Gomes Filho afirmou que o ex-deputado petista Paulo Rocha usou o dinheiro recebido do valerioduto para pagar "caixa dois" de campanhas eleitorais no Pará. Ele negou que o cliente tivesse conhecimento de que o dinheiro poderia ter origem ilícita e afirmou que, na reunião no apartamento de Rocha em que foi fechado um acordo entre o PT e o PL para as eleições de 2002, ele não realizou negociação financeira, tendo apenas tomado uma cachaça com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

EDUARDO BRESCIANI, Agência Estado

14 de agosto de 2012 | 15h54

"Não vamos cometer a pouca urbanidade de entender que uma reunião de coligação política no apartamento funcional de Paulo Rocha com o presidente da República desse para o Paulo o conhecimento disso tudo. A participação do Paulo foi de ficar ao lado do presidente, eles só tomaram uma cachacinha bem pequenininha que o Paulo tinha lá", afirmou o advogado.

Ele afirmou que Paulo Rocha era presidente do diretório regional do PT no Pará e pediu dinheiro a Delúbio Soares, então tesoureiro do partido, para saldar dívidas da campanha de 2002. Com a anuência de Delúbio, ele indicou a sua secretária no PT paraense Anita Leocádia para receber os recursos e fazer os pagamentos de dívidas de campanha. Para a defesa, o fato de ter mandado a secretária para fazer os saques mostraria que ele não desconfiava da origem do dinheiro. Ressalta ser um erro do Ministério Público misturar "caixa dois" com lavagem de dinheiro, acusação que é atribuída a Paulo Rocha.

"É uma prática recorrente o uso de caixa dois, é duro falar isso, ainda mais no Supremo Tribunal Federal, mas me parece que isso existe, todos sabem. Fico tranquilo de ter aqui a ministra Carmem Lúcia, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ela sabe a quantidade de matérias dessas que chegam diariamente, é uma realidade. Nós tangenciamos essa realidade para discutir lavagem e abandonar a discussão do que seria dinheiro não contabilizado", disse o defensor.

Para o advogado, seria "estúpido" lavar dinheiro com saques identificados na boca do caixa. "Sem ter uma mente perversa, consigo pensar em 50 meios menos tolos de fazer uma lavagem. Seria como fabricar notas de R$ 90,00", afirmou. Disse ainda que outro saque, de R$ 200 mil, feito por outro funcionário, serviu para repassar recursos para o PSB do Pará, coligado ao PT nas eleições de 2002.

Tudo o que sabemos sobre:
mensalãojulgamentoPaulo Rocha

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.