Advogado diz que Pizzolato não sabia que tinha dinheiro em envelope

Defesa usa argumento que ex-diretor do Banco do Brasil não abriu envelope de Valério e apenas entregou a uma 'pessoa do PT'

Eduardo Bresciani e Ricardo Brito - Agência Estado,

09 de agosto de 2012 | 15h58

O advogado Marthius Sávio Lobato afirmou em defesa do seu cliente Henrique Pizzolato que ele não sabia que um envelope que recebeu a pedido de Marcos Valério continha dinheiro. Pizzolato era diretor de marketing do Banco do Brasil e aparece como beneficiário de R$ 326 mil.

Ele teria, segundo o Ministério Público, auxiliado as agências do publicitário em contratos com o banco. No final da exposição, ele foi questionado pelo relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, que pediu mais esclarecimento sobre a liberação de pagamentos do fundo Visanet.

Sobre o dinheiro recebido, o advogado afirmou que o saque foi feito para fazer um "favor" a Valério. Segundo a esta versão, Pizzolato mandou um funcionário pegar o envelope, não o abriu e entregou a uma "pessoa do PT", que ele não sabe dizer quem seria.

"O contínuo foi, pegou o pacote e entregou a ele (Pizzolato). Ele pegou e guardou porque disseram que era para entrar a um mensageiro do PT. Toca o telefone e alguém diz: eu sou do PT, vim buscar. Ele não tinha conhecimento de que era dinheiro, não sabia que se tratava de dinheiro. Só entregou o pacote", sustentou Lobato.

O advogado usou a maior parte de sua exposição para sustentar que o diretor não tinha poderes para auxiliar as agências de Marcos Valério no Banco do Brasil. O principal argumento era que as decisões eram colegiadas. "Essa autonomia vem afirmada na denuncia para fazer o link da imputação de um ilusionismo jurídico, para dizer que bônus de volume era do Banco do Brasil e Pizzolato não atuou para buscar o bônus de volume".

Ele destaca que o bônus mencionado é pago diretamente às agências com base em negociação com meios de comunicação. Lobato usa o depoimento de um diretor da TV Globo para dizer que não poderia haver repasse ao anunciante sob pena de cancelamento do bônus.

Sob a antecipação de recursos do Visanet, de onde, segundo a denúncia teriam saído recursos públicos para irrigar o mensalão, o advogado afirmou que o cliente não atuava como representante naquele fundo. Disse ainda que o fundo é privado, não público, por não ser formado com recursos diretos do BB.

Ao final da exposição, o ministro Joaquim Barbosa fez alguns questionamentos ao advogado. O relator perguntou de onde saia o dinheiro para o fundo e quem determinava a transferência de recursos para as agências de publicidade. Lobato respondeu que cada banco, público ou privado, destina ao fundo um percentual de cada compra feita com um cartão do banco de bandeira Visa. Ele afirmou que a decisão sobre campanhas publicitárias era tomada pelo comitê de marketing, órgão colegiado, e que a relação direta com a Visanet era de responsabilidade de Léo Batista dos Santos, outro funcionário do BB.

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