Hélvio Romero/AE
Hélvio Romero/AE

Advogado diz que não há provas contra primeiro réu do caso Celso Daniel

Segundo Marcos Roberto Bispo dos Santos, seu cliente foi 'barbaramente torturado' quando interrogado na polícia

Fausto Macedo, Agência Estado

18 de novembro de 2010 | 14h37

O advogado de defesa Adriano Marreiro dos Santos pediu hoje a absolvição de seu cliente, Marcos Roberto Bispo dos Santos, acusado de ter participado do sequestro e assassinato do prefeito de Santo André (SP) Celso Daniel. O defensor alegou que contra o réu não há nenhuma prova que o condene. Segundo o advogado, seu cliente foi "barbaramente torturado" quando interrogado na polícia.

 

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Marreiro disse ainda que Marcos Roberto é citado apenas pelos outros réus do processo. O júri foi suspenso no início da tarde por uma hora e poderá ser retomado se o promotor Francisco Cembranelli pedir réplica. Esse é o primeiro julgamento do caso Celso Daniel, que ocorre no Fórum de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo.

 

Acusação. O promotor de Justiça Francisco Cembranelli, responsável pela acusação de Marcos Roberto Bispo dos Santos, acusado de ter participado do sequestro e assassinato do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel, disse nesta quinta-feira que o crime ocorrido em janeiro de 2002 foi executado por um grupo criminosos que agiu "por encomenda" de corruptos que desviavam recursos da prefeitura.

 

Pouco antes do julgamento ter início, Cembranelli afirmou que o dinheiro de corrupção se destinava a contas pessoais de políticos e também para abastecer campanhas eleitorais do PT, até mesmo a da primeira eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva naquele ano. Ele também disse que o petista foi torturado no cativeiro para revelar onde estava guardado um dossiê com informações contra integrantes do PT que estariam envolvidos no esquema de propinas da cidade

 

O promotor passou mais de uma hora expondo a acusação aos sete jurados que compõem o júri. Segundo ele, Daniel foi vítima de "um plano macabro, promovido por uma verdadeira corja de malfeitores que lesava o patrimônio público e desviava recursos para campanhas eleitorais e contas pessoais". O julgamento ocorre no Fórum de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo. Para Cembranelli, a administração do PT em Santo André era "uma verdadeira máfia e o chefe da organização era o empresário Sérgio Sombra, amigo de Celso Daniel".

 

Ao fim de sua exposição no início do julgamento de Marcos Roberto Bispo dos Santos, acusado de ter participado do sequestro e assassinato do prefeito de Santo André, no Grande ABC (SP), Celso Daniel, o promotor Francisco Cembranelli disse hoje que o petista foi torturado no cativeiro para revelar onde estava guardado um dossiê com informações contra integrantes do PT que estariam envolvidos no esquema de propinas da cidade.

 

O documento estaria guardado na residência de Daniel. "Celso Daniel era um homem cuidadoso, meticuloso", disse. De acordo com Cembranelli, no dia seguinte ao sequestro do prefeito, o atual chefe do Gabinete Pessoal da Presidência da República, Gilberto Carvalho, - na ocasião secretário da Administração da prefeitura na gestão Daniel -, teria entrado no apartamento do petista. Com ele, estaria Klinger Souza, secretário de Serviços Municipais na mesma gestão. O promotor disse que Carvalho e Klinger saíram do apartamento levando documentos. Cembranelli citou o resultado de perícia no corpo de Celso Daniel que apontou marcas de tortura. Neste momento, a defesa apresentar os argumentos aos sete jurados.

 

 

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