Advogado diz à PF que Renan tomou parte em propinas

O advogado Bruno de Miranda Lins, em depoimento à Polícia Federal, reafirmou os termos dos depoimentos prestados à própria PF, anteontem, e à Polícia Civil do Distrito Federal, há um ano, quando disse ter testemunhado o funcionamento de um esquema de coleta de propinas em ministérios peemedebistas que incluiria o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Lins, sem apresentar provas, repetiu também a versão de que seu sogro, Luiz Carlos Coelho, que seria o executor do esquema, se apresentava como "preposto" de Calheiros na negociação das propinas.Após a saída de Lins, que não falou com a imprensa, seu advogado, Rossini Corrêa, contou trechos do depoimento. Segundo Corrêa, Lins disse ter ouvido do sogro que Renan Calheiros participava do esquema de partilha de propinas com o senador Romero Jucá (PMDB-RR), atual líder do governo no Senado, e com o deputado Carlos Bezerra (PMDB-MT). Bruno, que foi casado com Flávia Lins, funcionária do gabinete de Calheiros, reafirmou também que participou de gestões com o sogro e que, a mando dele, fez dois saques no banco BMG - um no valor de R$ 500 mil e um de R$ 1,5 milhão.Lins, embora afirmando nunca ter testemunhado diretamente atos de corrupção, disse que participou de conversas do sogro com outros integrantes do esquema e executou vários serviços para Luiz Carlos Coelho. Entre as ordens do sogro estariam os dois saques feitos no BMG e também a entrega de R$ 150 mil, em dinheiro, ao deputado Bezerra. Bruno Lins não apresentou documentos para comprovar suas afirmações, frisando que ouviu do sogro as informações, mas se comprometeu a levantar dados pedidos pela Polícia Federal, como e-mails que confirmem os contatos do sogro com os peemedebistas e gravações que afirma ter feito.Ainda de acordo com Rossini Corrêa, Lins disse que só viu Calheiros duas vezes: no seu casamento com Flávia, do qual o senador foi padrinho a convite de Luiz Carlos Coelho, e na posse de Calheiros na presidência do Senado. Corrêa acrescentou que Renan, Bezerra e Jucá estão "nominados" pelo depoente como pessoas citadas pelo sogro e seriam partícipes do esquema de propinas, que desviava dinheiro de contratos de obras públicas.No depoimento, segundo o relato de Corrêa, Lins afirmou que o esquema permitiu ao sogro um alto padrão de vida, "de milionário internacional, muito acima de seus rendimentos". Bruno Lins disse também, de acordo com seu advogado, que o sogro trabalhou para "todas as siglas, sem distinção, desde que houvesse oportunidade de negócios."

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