Felix R/Futura Press
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Defesa de doleiro pede suspensão de depoimento a comissão

Em petição ao juiz Sérgio Moro, advogados alegam que CPI ‘perdeu o foco de seu objeto’ e ainda ‘intimida’ pessoas

TALITA FERNANDES, O Estado de S. Paulo

31 de julho de 2015 | 19h14

Brasília - A defesa do doleiro Alberto Youssef, um dos delatores da Operação Lava Jato, disse nesta setxa-feira, 31, que a CPI da Petrobrás na Câmara tem sido usada “com interesses escusos para intimidar as pessoas”. Em petição ao juiz Sérgio Moro, que conduz a Lava Jato, os advogados do doleiro requisitaram a suspensão de depoimento de Youssef aos deputados, na próxima semana. A comissão agendou para a quinta-feira uma acareação entre o doleiro e o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa, que também colabora com as investigações.

Como exemplos da suposta intimidação, Adriano Bretas, um dos advogados de defesa do doleiro, citou a quebra de sigilo fiscal das filhas de Youssef e a convocação da advogada Beatriz Catta Preta para depor na CPI. Segundo Bretas, a defesa estuda entrar com um pedido de trancamento da CPI da Petrobrás no Supremo Tribunal Federal (STF). “Há muito tempo a CPI perdeu o foco de seu objeto originário, desvirtuando-se de sua finalidade precípua para se tornar um escoadouro de interesses subalternos, a fim de constranger e intimidar pessoas”, diz a petição apresentada ontem a Moro. 

Entre os argumentos apresentados pela defesa ao juiz da 13.ª Vara Federal no Paraná está o estado de saúde de Youssef, que já foi internado por diversas vezes desde que foi detido na Lava Jato, no início de 2014. Os advogados argumentam ainda que os próprios integrantes da comissão já se dispuseram outras vezes a ir até Curitiba, onde Youssef está preso, para a coleta de depoimentos.

Na visão de Bretas, a convocação de Youssef tem o objetivo de expor o delator, segundo ele, “de forma desnecessária”. O advogado diz ainda que, se Moro não cancelar a ida de Youssef, o doleiro não vai se pronunciar. 

“O Alberto Youssef não está querendo deixar de colaborar, não é isso. Mas não vai servir de objeto de manobra para ser achincalhado lá publicamente. A gente está vendo que está se desenhando esse cenário de potencial achincalhamento publico dele lá”, criticou. Sobre o pedido de trancamento da CPI, o advogado acrescentou que essa é uma possibilidade estudada pela defesa do doleiro. “Não é nada ainda certo”, explicou.

‘Assombrar’. Entre as críticas feitas à CPI, o advogado diz que a comissão está perdendo a legitimidade como instrumento de investigação. “O nosso argumento é que a CPI teve um desvio de finalidade, de perda de objeto. O que ela está investigando hoje? Ninguém sabe mais”, declarou. Ainda na petição apresentada a Moro, os advogados escreveram que “forças obscuras, com interesses não republicanos, parecem assombrar a CPI, que já degringolou de seu objeto”.

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