Advogado de Mônica Veloso tentou subornar Renan, diz Cafeteira

Advogado teria pedido a ele e a outro senador que convencessem Renan a pagar R$ 20 mi à jornalista

30 de agosto de 2007 | 12h05

O senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA) afirmou, nesta quinta-feira, 30, no Conselho de Ética, que o advogado da jornalista Mônica Veloso tentou subornar o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB). Renan é acusado de ter as pensões pagas à Mônica, com quem tem uma filha extraconjugal, por um lobista da empreiteira Mendes Júnior. Segundo Cafeteira, o advogado foi até sua casa pedir que ele e um outro senador que estava lá convencessem Renan a pagar R$ 20 milhões à jornalista.   Cafeteira disse ainda que o advogado disse estar fazendo "um abatimento", uma vez que o primeiro pedido teria sido de R$ 30 milhões.   Veja também: No Conselho de Ética, PSDB pede voto aberto no caso Renan PSOL faz protesto contra voto secreto no caso Renan Em última manobra, Renan tenta voto secreto no Conselho Enquete: Você acredita que Renan será cassado?  Cronologia do caso Renan     Denúncias contra Renan abrem três frentes de investigação  Veja especial sobre o caso Renan    O relator Almeida Lima (PMDB-SE) afirmou que já havia perguntado ao advogado de Mônica Veloso, Pedro Calmon, quando ele depôs no Conselho de Ética, se ele teria ido à casa de um senador antes da audiência para definir pensão alimentícia para a filha de Renan para pedir o pagamento de R$ 20 milhões, como ressarcimento de prejuízos que a jornalista teria tido em sua produtora. Segundo Almeida Lima, o advogado respondeu que não.   Em resposta a Cafeteira, o senador Eduardo Suplicy (PT) afirmou que a apuração da suposta quebra de decoro parlamentar que pesa sobre Renan "nada tem a ver com a ameaça de extorsão". Também o senador José Nery (PSOL-PA) afirmou que a denúncia de Cafeteira é da esfera criminal, e não cabe ao Conselho de Ética analisá-la.   O senador Inácio Arruda (PCdoB) pediu que o senador que estava junto a Cafeteira no momento do suposto suborno se manifestasse, uma vez que a declaração de Cafeteira era "fortíssima".   Para Cafeteira, não há nenhum documento na representação do PSOL que incrimine o presidente da Casa, há apenas a reportagem da revista Veja. "O presidente é que, ao tentar explicar o que não lhe perguntavam, criava problemas fiscais, essa é a verdade", disse Cafeteira, pedindo pelo voto fechado.   Cafeteira disse que "até hoje não entendeu" porque os senadores do Conselho "fugiram" de seu voto. Cafeteira foi o primeiro relator do caso, e pediu o arquivamento da representação do PSOL sem ouvir os envolvidos. À época, o presidente do Conselho, Sibá Machado (PT), não permitiu o engavetamento.   O Conselho deve votar nesta quinta o parecer sobre a primeira representação contra Renan. Antes da votação, precisa decidir se esta será aberta ou secreta. De um lado, os aliados de Renan querem que o voto seja secreto. Acham que, com o anonimato, o senador teria mais chances. Mas, a oposição está disposta a brigar e ameaça não apresentar o relatório se o voto for fechado. Os defensores do voto aberto têm maioria no Conselho e podem ganhar se essa polêmica for a voto.        

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