Advogado de Marcos Valério diz que prisão foi ilegal

Advogados dos suspeitos de envolvimento no esquema de fraudes com escrituras de imóveis presos em Belo Horizonte afirmaram hoje que as prisões foram ilegais. Todos os defensores disseram que não tiveram acesso aos autos da investigação que levou à decretação das prisões e que os policiais não revelaram o motivo das capturas.

MARCELO PORTELA, Agência Estado

02 de dezembro de 2011 | 18h06

"Ainda precisamos ter acesso aos autos para saber o motivo das prisões. A partir daí veremos o que fazer", afirmou Marcelo Leonardo, responsável pela defesa de Marcos Valério. Mesmo antes de ter acesso às investigações, porém, o advogado disse já imaginar que o mandado de prisão seria motivado por "negociações de imóveis" realizadas em 2003 e 2004 na Bahia e que já estuda recurso para tentar libertar seu cliente.

Para o advogado Leonardo Isaac Yarochewsky, que representa Francisco Castilho e Margareth Freitas, a polícia cometeu abuso e realizou as prisões em uma sexta-feira "para dificultar o trabalho dos advogados". "São prisões para averiguações. Quando a Constituição de 1988 foi bradada para o País, era para acabar com esse tipo de abuso", disparou.

Ele argumentou ainda que, na época dos fatos apurados na investigação da Polícia Civil baiana, Margareth não era sócia da agência DNA publicidade, posto ocupado por seu marido, Daniel Freitas, sobrinho do ex-vice-presidente José Alencar e um dos fundadores da empresa. Freitas morreu em 2002. "Ela (Margareth) só entrou na sociedade em 30 de março de 2004", afirmou Yarochewsky.

Já o advogado Hermes Vilchez Guerreo, que representa Ramon Hollerbach, afirmou que teve acesso ao mandado de prisão e que, "nas quase 60 páginas, não há nada que justifique a prisão" de seu cliente. "Ele é réu no processo do mensalão, que é bem conhecido, mas tem endereço fixo e nunca foi chamado pela polícia ou pela Justiça da Bahia para ser ouvido", salientou. Para o advogado, os fatos narrados no mandado ocorreram em 2005 e também já estariam prescritos. Guerrero afirmou que, mesmo sem acesso ao inquérito policial, na segunda-feira (5) já entrará com pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça da Bahia. "Falta fundamentação. Tenho muita esperança que o Tribunal faça justiça", concluiu.

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