Advogado de Jefferson cita troca de mensagem entre ministros

'Isso demonstra que os argumentos dos advogados estavam sendo ouvidos', ironiza Barbosa

23 de agosto de 2007 | 11h19

O advogado do deputado cassado Roberto Jefferson, Luiz Francisco Barbosa, usou a reportagem de O Globo ao iniciar a defesa para desqualificar o julgamento dos 40 acusados pelo mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF). Barbosa se referiu aos diálogos eletrônicos trocados entre os ministros Carmen Lúcia e Ricardo Lewandowski durante o primeiro dia de julgamento e que foram publicados pelo jornal. "Isso demonstra que os argumentos dos advogados estavam sendo ouvidos", ironiza. E afirmou que a denúncia contra seu cliente é "surpreendente" já que ele "é a mais valiosa testemunha de acusação". Veja também: Advogado pede para STF separar 'mensaleiro de inocente mensageiro'Defesa não está tomada de 'delírio coletivo', diz advogado de Costa Neto'Nunca vi esse tipo de diálogo', diz ministro sobre troca de mensagensFotógrafo flagra conversa entre ministros e STF proíbe fotosSTF tem segundo dia de julgamento do mensalãoSupremo tende a aceitar ação contra os 40 mensaleiros CONJUR: Indícios bastam para que denúncia seja aceitaVeja imagens do julgamento  Íntegra do relatório do ministro Joaquim Barbosa   Quem são os 40 do mensalão  Saiba como o STF vai examinar a denúncia do 'mensalão' Deputados na mira: os cassados, os absolvidos e os que renunciaram Entenda: de uma câmera oculta aos 40 do mensalão   Jefferson é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Barbosa argumentou que não se pode acusá-lo de lavagem de dinheiro uma vez que não foi identificada a origem do dinheiro. Segundo ele, o deputado cassado nunca foi indicado como participante do mensalão, mas sim como denunciante do esquema. "Temos aqui um caso atípico, inusitado, esquisito e nunca visto", disse. E questionou ainda o PT "imaculado": como o partido poderia ter agido de forma criminosa? O esquema do mensalão - pagamento de uma suposta mesada a parlamentares para votarem a favor de projetos do governo - foi denunciado por Roberto Jefferson, então deputado pelo PTB e presidente da legenda, que acabou sendo cassado por conta de seu envolvimento. Segundo Jefferson, os pagamentos mensais chegavam a R$ 30 mil e o esquema de repasse do dinheiro era feito através de movimentações financeiras do empresário Marcos Valério. Dos acusados de envolvimento no esquema, foram cassados José Dirceu, Roberto Jefferson (PTB-RJ) e Pedro Corrêa (PP-PE). Quatro parlamentares renunciaram para fugir do processo e 11 foram absolvidos. Diálogos No diálogo dos ministros, realizado por meio de mensagens instantâneas pelo sistema interno do STF, Carmem e Lewandowski discutem os votos que darão sobre a denúncia da Procuradoria Geral da República contra os 40 acusados de integrar o esquema de corrupção, além de comentar as escolhas de outros colegas. Os ministros discutiram ainda a escolha do substituto de Sepúlveda Pertence, que se aposentou na semana passada.  O diálogo entre os ministros começou durante a sustentação oral do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza. No bate-papo, que durou horas, os ministros também dão indícios de que pretendem rejeitar parte da denúncia, desqualificando crimes apresentados pela Procuradoria a alguns de seus acusados.  "Minha dúvida é quanto ao peculato em co-autoria ou participação, mesmo para aqueles que não são funcionários públicos ou não tinham a posse direta do dinheiro", diz Lewandowski, se referindo às acusações contra José Genoino(então presidente do PT) e Silvio Pereira (ex-secretário do PT).

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