Advogado de empresários denuncia 'mensalinho' de R$ 50 mil em Campinas

Segundo Edson Carneiro Júnior, seus clientes foram obrigados a pagar quantias mensais a diretores de empresa de saneamento para não deixar de receber pelos serviços prestados à administração

Rose Mary de Souza, especial para O Estado de S. Paulo

24 de maio de 2011 | 17h51

CAMPINAS - A defesa de empresários denunciados por suspeita de participação de esquema de corrupção na Prefeitura Campinas (SP) afirmou que seus clientes foram obrigados a pagar R$ 50 mil reais a servidores da administração. O advogado Edson Carneiro Júnior afirma que funcionários da empresa de seus clientes ficavam à disposição para prestar serviços particulares em residências de diretores da Sanasa (Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento), apontada como um dos elos do esquema.

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A declaração do advogado foi feita a jornalistas nesta terça-feira, 24, no 2º Distrito Policial de Campinas, onde estão presos os empresários Augusto Ribeiro Antunes e Alfredo Ribeiro Antunes, e mais sete acusados de participação de um suposto esquema de fraude de licitações em contratos de serviço de empresas terceirizadas na Sanasa. O caso é alvo de uma operação do Ministério Público e da Polícia Civil, que na semana passada pediu a prisão preventiva de 20 agentes públicos e empresários, entre eles a primeira-dama, vice-prefeito e dois secretários municipais. Nessa segunda-feira, 23, vereadores aprovaram a formação de uma comissão para investigar as denúncias contra a administração do prefeito Hélio de Oliveira Santos, o Dr. Hélio (PDT). O prefeito nega as acusações.

 

Segundo Edson Carneiro Júnior, o pagamento dos R$ 50 mil foi realizado no decorrer de 2008, durante dez meses, em prestações entre R$ 5 mil a R$ 6 mil. O advogado disse que a empresa de seus clientes é pequena e familiar, cujo faturamento não ultrapassa a R$ 200 mil ano, e por isso não conseguia "dar mais". "A empresa foi obrigada a fazer depósitos senão seria sumariamente cortada do pagamento do serviço", afirma.

O advogado contou ainda que os diretores da Sanasa também 'ganharam' pequenos reparos de seus funcionários em suas residências. "Eles foram obrigados a fazer reformas em chácaras de diretores, como pintura, serviço de jardinagem e ajuda em diversos serviços particulares."

 

Alfredo e Augusto Ribeiro Antunes, pai e filho, são donos da Global, uma das empresas mencionadas na lista do Ministério Público. Está prevista uma acareação das informações, já que um dos diretores da Sanasa, Aurélio Cance Junior, também está preso provisoriamente. A promotoria não confirmou o teor do depoimento porque, apesar do vazamento de vários documentos, o processo segue em segredo de justiça.

 

Comissão Processante. A Comissão Processante formalizada na sessão dessa segunda feira, 23, que pode resultar em um pedido de impeachment do prefeito de Campinas, se reuniu pela primeira vez nesta terça e pretende agilizar o processo de apuração das acusações contra a administração.

 

Segundo o presidente da comissão, o vereador Rafael Zimbaldi (PP), deve ser agendado um encontro com o juiz da 3ª Vara Criminal, Nelson Bernandes, para conhecimento do teor dos documentos que levaram ao mandado de prisão preventiva de 20 pessoas.

 

"O prefeito não é citado diretamente mas pode ter sido um mau fiscal das suas nomeações, e não ter percebido o que estava acontecendo", disse Zimbaldi. A ação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado), núcleo do Ministério Publico, atinge sua esposa e chefe de gabinete, Rosely Nassin Santos. Ela é apontada em escutas telefônicas como a chefe do esquema de distribuição de propina.

 

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