Advogado de Dirceu usa Dilma, Lula e ministros em sua defesa

Defesa rebate acusações do Ministério Público e nega atuação de ex-ministro como chefe do esquema do mensalão

Eduardo Bresciani - O Estado de S. Paulo,

06 de agosto de 2012 | 15h04

O advogado José Luiz de Oliveira Lima usou depoimentos da presidente Dilma Rousseff, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de ministros em defesa de José Dirceu na exposição que faz no Supremo Tribunal Federal (STF) no processo do mensalão. Lima tem procurado rebater cada uma das acusações do Ministério Público para negar que seu cliente fosse o mentor do esquema.

"José Dirceu não é chefe de quadrilha não, os autos falam isso", afirmou.

Falando da primeira acusação, de que teria beneficiado o BMG na área de crédito consignado para aposentados, Lima fez a menção à presidente e seu antecessor como depoimentos em defesa de Dirceu.

"A defesa trouxe depoimentos nos autos de que José Dirceu na Casa Civil jamais beneficiou o banco, quero citar o depoimento da então ministra da Casa Civil, a atual presidente, senhora Dilma Rousseff, e esclarecimentos prestados pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva", disse Lima.

Ele recorre a ministros petistas para dizer que o seu cliente não atuava na administração do PT quando estava na Casa Civil e não tinha conhecimento das ações de Delúbio Soares, então tesoureiro do partido. "Foram dezenas de depoimentos nesse sentido. O próprio Delúbio, quando é ouvido, esclarece essa questão. Depoimentos de ministros, o atual ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o das Comunicações, Paulo Bernardo, o da ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais), todos prestaram depoimento e inclusive afirmaram que tomaram conhecimentos dos empréstimos pela imprensa".

Para Lima, as declarações devem ser consideradas pelos ministros do STF. "Se não pode se dar credibilidade a esses depoimentos, eles têm de ser processados por falso testemunho".

Lima negou ainda que o cliente tenha impedido os órgãos de controle de fiscalizar as movimentações financeiras que caracterizariam o esquema. Diz não haver nenhuma relação também entre seu cliente e o publicitário Marcos Valério.

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