Advogado de Dantas diz que vai ao STF contra ministro Félix

De acordo com Machado, general foi 'irresponsável' ao ligar o banqueiro ao caso do grampo ilegal no Supremo

ALESSANDRA SARAIVA, Agencia Estado

05 de setembro de 2008 | 16h45

O advogado de defesa do sócio-fundador do grupo Opportunity, Daniel Dantas, e do ex-presidente da Brasil Telecom, Humberto Braz, Nélio Machado, afirmou nesta sexta-feira, 5, que vai interpelar judicialmente na próxima semana o ministro-chefe do gabinete de segurança institucional da presidência da República, general Jorge Armando Felix, no Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com Machado, o general foi "irresponsável" ao ligar o seu cliente Daniel Dantas à implementação de escutas telefônicas por integrantes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para espionar conversas do presidente do STF, Gilmar Mendes.     Veja Também: Entenda a crise dos grampos  Oposição pedirá que MP apure caso da escuta ilegal Tarso envia a Lula projeto que aumenta punição a grampo ilegal CPI dos Grampos convoca Jobim e diretores da Abin e PF Veja como foi o depoimento do diretor da agência à CPI  Especial explica a Operação Satiagraha  Multimídia: As prisões de Daniel Dantas  De acordo com ele, o cargo do general Felix tem status de ministro e, portanto, ele só pode ser interpelado no âmbito do STF. Ainda de acordo com o advogado, o general poderá até ser chamado para depor. "Ele não agiu como deveria. Foi uma declaração emocional", disse. Segundo Machado, a única "prova" que o general Felix teria para sua acusação seria a coincidência de datas entre a concessão de liberdade a Daniel Dantas por Mendes e a instalação dos grampos nos telefones do ministro do Supremo. "Isso não faz o menor sentido porque meu cliente iria espionar alguém que fez cumprir o direito legal de liberdade que meu cliente merecia", argumentou.Machado esteve hoje na 9ª Vara da Justiça Federal para acompanhar testemunho em favor do ex-presidente da Brasil Telecom, que, assim como Daniel Dantas, foi acusado de tentativa de suborno de um delegado da Polícia Federal, antes da implementação da operação Satiagraha. Ele reafirmou que seu cliente Daniel Dantas tem sido perseguido. "O que ocorre é que com o Daniel Dantas as investigações não cessam", disse, comentando que o nome do seu cliente é mencionado várias vezes em casos sobre os quais ele "não está absolutamente envolvido".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.