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Advogado de Cunha não descarta possível acordo de delação

Em entrevista à 'Rádio Estadão', Marlus Arns afirmou que colaboração 'deve ser analisada em qualquer processo', mas evitou falar sobre uso desse instrumento no caso do ex-deputado sob alegação de que não tinha ainda discutido o assunto com seu cliente

Elizabeth Lopes e Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

24 Outubro 2016 | 10h06

O advogado do ex-presidente da Câmara e deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) Marlus Arns não descarta a possibilidade de uso da delação premiada no processo do peemedebista, preso desde a quarta-feira, 19, no âmbito da Operação Lava Jato. Arns, que é especializado em delação premiada, disse que a colaboração é um instrumento grave, não um salvo conduto, e que deve sempre ser analisada em qualquer processo. Apesar da declaração, ele evitou falar sobre o uso desse instrumento no caso específico de Cunha, sob alegação de que não tinha ainda discutido o assunto com seu cliente.

"(A delação) é sempre um instrumento que deve ser avaliado, mas ainda não foi discutido, mas é evidentemente uma opção, que tem de ser avaliada de forma cuidadosa", afirmou, em entrevista concedida na manhã desta segunda-feira, 24, à Rádio Estadão.

Na entrevista, Arns disse que sua contratação foi realizada antes da prisão de Cunha, e, portanto, não avalia que seu trabalho seria um recado para os peemedebistas, que estariam temerosos com uma provável delação do deputado cassado. "Nosso trabalho não começou no momento da prisão e eu não fui instado a tratar deste assunto e não acredito que foi um recado, mas vamos analisar esse assunto também com Eduardo Cunha."

Habeas corpus. Segundo o advogado, neste momento a defesa do ex-deputado está concentrada no relaxamento da prisão e deve protocolar ainda nesta segunda um pedido de habeas corpus no Tribunal Regional Federal da 4ª região, ao qual a vara de Curitiba está vinculada. Arns questionou a prisão de Cunha, argumentando que o processo já estava tramitando há muito tempo no Supremo Tribunal Federal (STF) e, portanto, com a perda do foro privilegiado, as autoridades poderiam ter pedido medidas alternativas, como a apreensão do passaporte. "Pelo nosso entendimento, não seria necessária a prisão de Cunha."

Sobre o caso da esposa de Cunha, Cláudia Cruz, para o qual o advogado afirmou que foi especificamente contratado, ele disse que ela deve ser chamada para depor em breve para comprovar sua versão dos fatos e que até o final do ano Sérgio Moro deverá proferir sua sentença. O interrogatório da Cláudia está marcado para 14 de novembro

Ouça a entrevista á Rádio Estadão:

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