Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Advogado de Cerveró se 'vangloria' por auxiliar fuga de criminosos do Brasil, diz MPF

Defensor do ex-diretor da estatal teve a prisão decretada mas está nos Estados Unidos; ele teria participado da negociação para que o executivo não firmasse acordo de delação premiada

Gustavo Aguiar e Beatriz Bulla, O Estado de S.Paulo

25 Novembro 2015 | 14h06

Brasília - O advogado Edson Ribeiro, que teve a prisão decretada nesta segunda-feira, 23, por atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato, chegou a "se vangloriar" em conversa gravada por ter auxiliado a fuga de criminosos do Brasil para fora do País, segundo documento do Ministério Público Federal enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF). 

O advogado está nos Estados Unidos. A Polícia Federal pediu que o nome do advogado seja incluído no alerta vermelho da Interpol.

Ele é acusado pelos procuradores de tentar convencer o ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, a não assinar acordo de delação premiada com a Polícia Federal. Embora o advogado represente Cerveró, o documento do MPF diz que ele vem agindo em favor do senador Delcídio Amaral (PT-MS).  

De acordo com o documento, o senador e o advogado discutem abertamente meios de fuga do ex-diretor da Petrobrás, Nestor Cerveró, para Espanha, onde ele também tem cidadania. Delcídio sugere que a rota mais facil seria pelo Paraguai.

O relatório diz que, "fazendo coro ao senador Delcídio Amaral, no que concerne ao fomento da fuga de Cerveró, o advogado Edson chega a ser vangloriar de já ter tirado muita gente do país de forma ilícita". "Vai embora, eu já levei muita gente por ali", teria dito o advogado. 

O senador e o advogado teriam mencionado também a tentativa de evitar que Cerveró fosse mantido preso e, em caso de ele ser liberado sob monitoramento eletrônico, também discutem a hipótese de violar o dispositivo.

Delcídio teria sugerido que a rota mais facil para fuga seria pelo Paraguai, e não pela Venezuela, e que o melhor seria usar um avião a jato modelo Falcon 50, que poderia chegar à Espanha sem abastecimento.

Edson também teria dito ao fim do diálogo que, "por enquanto", seria melhor que Nestor Cerveró não deixasse o Brasil. Mas, segundo o relatório o advogado "mostrou-se integralmente disposto" a auxiliá-lo na fuga. Ele teria inclusive mencionado a que empresa Rico Linhas Aéreas pertence a amigo seu, eque poderia ser acionado.

Além do senador Delcídio Amaral e do advogado Edson Ribeiro, também foram alvo de mandados de prisão expedidos pelo STF o chefe de gabinete do parlamentar, Diogo Ferreira, o banqueiro André Esteves, do BTG Factual. 

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