Advogado de caseiro critica quebra de sigilo

O advogado do caseiro Francenildo Santos Costa, Wlicio Chaveiro Nascimento, iniciou neste sábado os procedimentos para apurar os responsáveis pela quebra, sem autorização legal, do sigilo bancário de seu cliente. Ele disse que vai pedir ajuda do Ministério Público e da Polícia Federal para identificar o que entende ser, "uma violação a um direito legalmente assegurado pela Constituição". "Houve uma ilegalidade, Francenildo não é objeto de nenhuma investigação", lembrou.Wlicio disse que passou a defender o caseiro, conhecido por Nildo, sem nenhum tipo de remuneração, para atender a amigos que se solidarizaram com o seu gesto de contar o que viu nos oito meses em que trabalhou numa casa do Lago Sul para ex e atuais assessores do ministro da Fazenda, Antonio Palocci.Em entrevista ao Estado e em depoimento à CPI dos Bingos, interrompido aos 55 minutos, por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), o caseiro contou que Palocci era freqüentador da casa onde era feita distribuição de dinheiro para pessoas da chamada "república de Ribeirão", e realizadas festas com garotas de programa. Para o advogado, o que está havendo é uma "conspiração medíocre para calar fatos que realmente ocorreram".Dados falsosWlicio chama de "conspiração", além da violação da conta bancária do rapaz, o fato de a revista Época ter divulgado dados que seriam falsos sobre a conta bancária do caseiro na Caixa Econômica Federal (CEF). Segundo o advogado, a matéria sugere que ele recebeu dinheiro da oposição para contar o que sabe sobre as idas do ministro Palocci à casa do Lago Sul. A residência foi alugada em nome de Vladimir Poleto, mas segundo o caseiro, o dinheiro do aluguel e outros gastos, inclusive o das garotas de programa, vinha de Ribeirão Preto, da empresa do ex-assessor de Palocci, Rogério Buratti.A revista diz que ele recebeu R$ 38,6 mil. O caseiro apresentou extratos mostrando que o que entrou na sua conta R$ 25 mil, depositados pelo empresário Eurípedes Soares da Silva.Nildo disse que - conforme é público na cidade onde nasceu, Nazária, no Piaui, Eurípedes é o pai que não o reconheceu. Segundo ele, o empresário depositou o dinheiro na sua conta depois dele assinar um acordo extra-judicial prometendo não entrar na Justiça para ser reconhecido como filho. O caseiro disse que o advogado que preparou o acordo, em Teresina, ficou de mandar uma cópia do documento, mas que não o fez até agora.

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