Advogado de Arruda denuncia delegado; PF desmente

Polícia admite que o delegado manteve a porta da cela aberta durante os encontros, mas nega intrusão

estadao.com.br,

12 de março de 2010 | 13h17

O advogado Nélio Machado, que comanda a defesa do governador licenciado do Distrito Federal, José Roberto Arruda, apresentou nesta quinta-feira, 11, um denúncia contra o delegado Marcos Ferreira dos Santos, da Polícia Federal, por abuso de poder e por impedir que o advogado se reúna reservadamente com seu cliente na prisão. 

 

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Após receber a denúncia, o presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, determinou o envio de um ofício aos presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Cesar Asfor Rocha, ao ministro do STJ, Fernando Gonçalves, relator do processo envolvendo Arruda, ao procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, e ao ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, pedindo que fossem tomadas providências urgentes.

 

Arruda está preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, desde o dia 11 de fevereiro, por suposta tentativa de subornar uma testemunha citada no inquérito da Operação Caixa de Pandora, que revelou a existência de um esquema de pagamento de propina no governo do Distrito Federal que ficou conhecido como Mensalão do DEM. O STF negou os pedidos de habeas corpus apresentados pela defesa do governador licenciado e justificou a decisão indicando que Arruda poderia voltar a tentar interferir no processo.

 

Contradição      

 

A Polícia Federal negou nesta sexta-feira, 12, que José Roberto Arruda tenha sido impedido de conversar reservadamente com seus advogados, contrariando o que disse o advogado Nélio Machado. A PF admite que o delegado manteve a porta da cela aberta durante os encontros, mas argumenta que esse é um procedimento de segurança adotado para seguir instruções da Justiça, para impedir qualquer possibilidade de comunicação externa ao governador. Além disso, afirma que os policiais não interferiram e não escutaram as conversas.

 

O advogado e ex-vice-presidente da OAB em Brasília Ibaneis Rocha disse à Agência Brasil que, de acordo com a lei, o tipo de ambiente solicitado por Nélio Machado "é como um confessionário: um ambiente que garanta que cliente e advogado possam conversar sem serem escutados, independentemente de haver portas abertas. Eles precisam ter privacidade para que o cliente possa contar tudo e a defesa possa montar sua estratégia." O ministro Luiz Paulo Barreto garantiu nesta quinta-feira, 11, que Nélio Machado terá direito a ter conversas reservadas com seu cliente.

 

Com informações  da Agência Brasil

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