Advogado da Pastoral da Terra pede apuração contínua de ameaça no campo

Para representante de entidade que seu reuniu com governo, medidas anunciadas para conter conflito agrário são apenas paliativas e chegam atrasadas

Luciana Nunes Leal, de O Estado de S. Paulo

01 de junho de 2011 | 18h00

Depois de participar do encontro em Brasília com a secretária nacional de Direitos Humanos, Maria do Rosário, o advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT) José Batista Afonso, já de volta a Marabá (PA), disse que as medidas anunciadas são "paliativas" e que a falta de ação do poder público nos assentamentos do Pará "são um prato cheio para os madeireiros", que trocam benfeitorias na região onde vivem os trabalhadores rurais pela extração de madeira.

 

 

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"A reunião chegou muito tarde, teria que ter sido feita há oito anos. Pena que (o governo) está fazendo atrasado e em cima de três cadáveres", afirmou Batista na manhã de hoje. O advogado disse que a proteção aos 30 ameaçados de morte anunciada pela ministra é importante, mas cobrou também investigação permanente das ameaças. "Se o governo investisse em investigação, muitas lideranças poderiam estar vivas. É uma ação preventiva, (o mandante) vai pensar duas vezes antes de encomendar o crime", disse o advogado.

Três líderes rurais da região Norte foram assassinados na semana passada. No dia 24, morreu em Nova Ipixuna (PA) o casal José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva. No dia 27, Adelino Ramos foi morto em Vista Alegre do Abunã (RO). Também no dia 27, foi assassinado em Nova Ipixuna o agricultor Eremilton Pereira dos Santos, mas ainda não se sabe se o crime tem relação com conflitos agrários.

Segundo Batista, José Cláudio e Maria faziam parte de uma lista de 30 líderes rurais do sudeste do Pará ameaçados de morte. O advogado informou que, nos últimos dois anos, os relatórios da CPT foram entregues, entre outras instituições, ao Ministério da Justiça.

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