Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Advogado de Flávio Bolsonaro disse duas vezes que não sabia onde estava Queiroz

Ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro foi preso na manhã desta quinta-feira, 18, em imóvel do advogado Frederick Wassef, que esteve com o presidente nesta quarta-feira,17, no Planalto

Julia Lindner, Jussara Soares e Breno Pires, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2020 | 10h20
Atualizado 18 de junho de 2020 | 14h52

O advogado Frederick Wassef afirmou, em ao menos duas ocasiões no ano passado, desconhecer o paradeiro do ex-assessor Fabrício Queiroz. “Não sei. Não sou advogado dele”, afirmou ele em entrevista à GloboNews, em setembro do ano passado.  Antes disso, em junho, disse à revista Veja que nem sequer o conhecia. Segundo o delegado da Polícia Civil Osvaldo Nico Gonçalves, o ex-funcionário do gabinete do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) morava numa casa do advogado em Atibaia, no interior de São Paulo, havia um ano.

Wassef é advogado de Flávio no caso, o que levanta a suspeita sobre uma possível troca de informações entre investigados, o que poderia representar tentativa de obstrução de Justiça. Em entrevistas, o senador também já afirmou não saber o paradeiro do ex-assessor e chegou a alertar que não mantinha mais contato com Queiroz justamente para que não fosse interpretado como crime.

Wassef se apresenta como advogado de Bolsonaro, mas não atua formalmente em nenhuma causa em nome do presidente. No entanto, é presença constante nos palácios do Planalto e do Alvorada, mas não costuma aparecer nas agendas oficiais do presidente. Nos registros aparecem apenas três encontros no último ano, mas ele esteve ao menos sete vezes nos últimos seis meses com o presidente.

Nesta quarta-feira, 18, Wassef esteve na cerimônia de posse do novo ministro das Comunicações, Fábio Faria. Na semana anterior, ele passou a tarde com o presidente na sede do Executivo e deixou o local por volta das 20h. O motivo do encontro não foi informado. Desde a prisão de Queiroz, na manhã desta quinta, Wassef permanece recluso na residência onde mora, no Lago Sul, em Brasília (DF). Além de não deixar a casa, na área nobre da capital federal, Wassef não atendeu  ligações da reportagem. Quando tocada a campainha da residência, não houve retorno. Por volta das 8h30, o advogado foi visto brevemente na janela da casa.

Outra ocasião em que Wassef esteve com o presidente foi no dia 25 de abril, logo após a demissão do ministro da Justiça Sérgio Moro. Ele foi ao Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência, no mesmo dia em que Bolsonaro discutia a substituição na pasta. O atual chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, que na época tentava assumir o comando da Polícia Federal, também participou do encontro.

Além da família Bolsonaro, Wassef é próximo do secretário especial de comunicação da Presidência, Fábio Wajngarten. Ainda na pré-campanha presidencial, Wassef apresentou Wajngarten, dono da empresa Controle da Concorrência, nome fantasia da FW Comunicação e Marketing, como um homem capaz de abrir portas em emissoras de televisão.

Wassef conheceu Bolsonaro ainda como deputado federal, em 2016, quando a ideia da candidatura presidencial ainda parecia distante. Depois, na campanha presidencial, o advogado passou a frequentar a casa usada pela equipe de Bolsonaro.

Ele é visto com desconfiança pelos assessores mais próximos de Bolsonaro. O presidente chegou a ser aconselhado a dispensá-lo, mas o modo como agiu justamente no caso Queiroz o garantiu por perto, contam pessoas próximas ao Presidente. O principal momento foi quando Wassef conseguiu suspender no Supremo Tribunal Federal (STF), através de decisão do ministro Dias Toffoli, suspender todas as investigações feitas com base no compartilhamento de dados bancários sem autorização judicial, atendendo ao pedido da defesa de Flávio Bolsonaro.

Em outras ocasiões, Wassef atuou de forma informal na defesa de Jair Bolsonaro e opinou sobre temas jurídicos envolvendo o presidente. No final de maio, em uma das idas ao Planalto, ele afirmou à imprensa que havia um “carnaval” em torno da reunião ministerial do dia 22 de abril, tornada pública por decisão do ministro Ceslo de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), em inquérito que investiga possível interferência do presidente na Polícia Federal.

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