Advogado critica banalização de denúncias do mensalão

Defesa de Simone Vasconcelos, ex-diretora da agência SMP&B, diz que até na novela as pessoas são acusadas de formação de quadrilha

Ricardo Brito, da Agência Estado

07 de agosto de 2012 | 18h02

O advogado Leonardo Isaac Yarochewsky, que defende a ex-diretora financeira da agência SMP&B Simone Vasconcelos, criticou nesta terça-feira, 7, o que considera de "banalização" das denúncias feitas pelo Ministério Público por formação de quadrilha. Na exposição que fez durante o julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal, Yarochewsky disse que "virou moda" esse tipo de acusação.

"Até na novela das oito, a Carminha disse que ia processar a Rita por formação de quadrilha", ironizou o defensor de Simone, para risos da plateia. Ex-diretora da agência de publicidade do publicitário Marcos Valério, considerado um dos operadores do mensalão, Simone é ré na ação por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e evasão de divisas.

Segundo o advogado, Simone, apesar de ostentar o "pomposo" cargo de diretora financeira, não tinha autonomia e poder de mando para questionar as despesas da agência de Valério. A partir de empréstimos tomados no Banco Rural, segundo o MP, a SMP&B foi usada para comprar apoio político para aprovação de projetos de interesse do governo durante o primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva.

O Ministério Público acusa a ex-diretora de envolvimento no esquema montado por Valério. "O que o patrão faz com o dinheiro, ainda que seja jogar no lixo, não cabe ao funcionário questionar", rebateu o advogado. Yarochewsky disse que Simone usou sim carros fortes para transportar o dinheiro repassado a políticos, por questão de segurança. E disse não ver nada de "anormal" na conduta.

Para isentar a atuação da ex-diretora financeira no processo, Yarochewsky disse que ela era assalariada e jamais recebeu alguma vantagem. O advogado defendeu ainda a legalidade dos empréstimos. "Eu nunca vi alguém assaltar um banco e entregar a carteira da identidade", questionou, confessando, assim como outros defensores, o pagamento de caixa dois a políticos.

O advogado finalizou sua apresentação citando mais uma vez uma música de Chico Buarque - o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, usou um trecho da música "Vai passar" para pedir a condenação dos 36 réus. Para contrapô-lo, Yarochewsky recitou um trecho de "Apesar de você": "Você que inventou esse Estado/Inventou de inventar/Toda escuridão/Você que inventou o pecado/Esqueceu-se de inventar o perdão/Apesar de você/Amanhã há de ser outro dia".

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