Advogado agredido em protesto por policiais em Caxias do Sul diz estar 'marcado para morrer'

Mauro Rogério Silva dos Santos publica mensagem após ser agredido por policiais militares na cidade da serra gaúcha durante manifestação contra o impeachment; cena foi registrada por vídeo replicado nas redes

Chico Guevara - ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2016 | 18h42

PORTO ALEGRE - Em Caxias do Sul, na serra gaúcha, um advogado e seu filho foram presos por tentativa de homicídio e ameaças após discussão seguida de agressão física com policiais militares durante protesto contra o impeachment de Dilma Rousseff na noite de quarta-feira. Um vídeo replicado nas redes sociais mostra um policial agredindo Mauro Rogério Silva dos Santos, de 51 anos, nas pernas com golpes de cacetete, enquanto outro policial  o segura. Mauro cai no chão sob cacetadas dos dois policiais. Na última cena, entra o filho, Vinícius Zabot dos Santos, de 21 anos, dando um chute no que parece ser o rosto do militar Cristian Luiz Preto, que estava abaixado imobilizando Mauro. Em seu perfil de rede social, Mauro alerta que ele e seu filho estão "marcados para morrer".

O advogado afirma que estava a caminho da universidade para buscar o filho, quando foi alertado que policiais militares haviam detido um casal de adolescentes perto dali.

 "Cheguei e vi uma moça e um jovem, certamente menor, de mãos na parede e os policiais se preparando para conduzi-los à delegacia. Retirei minha carteira e apresentei aos policiais para saber da razão da condução dos jovens e qual o nome deles. De imediato fui repelido com empurrões e não tive a condição de advogado reconhecida", narra Mauro na página da Mídia Ninja no Facebook, onde o vídeo foi publicado.

Pai e filho foram presos levados para a delegacia. Vinicius passou a noite na Penitenciária Industrial de Caxias, sendo liberado na manhã de quinta-feira, 01. Ele será indiciado por tentativa de homicídio.

 A Brigada Militar disse que vai apurar possíveis excessos dos policiais na abordagem, embora  ressalte que a ação respeitou a "técnica e proporcional à agressão". Um inquérito foi aberto e aguarda conclusão dos exames de corpo de delito e análise de câmeras que podem ter registrado a agressão.

Preto foi hospitalizado com traumatismo craniano e recebeu alta na quinta-feira, 01, mas retornou ao hospital nesta sexta, 02, queixando-se de dores de cabeça e tontura.

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